PF e Receita realizam operações para combater tráfico internacional de drogas em portos

Do UOL, em São Paulo

  • MARCO SILVA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    Ao menos 31 suspeitos foram presos em operação contra tráfico de drogas em portos

    Ao menos 31 suspeitos foram presos em operação contra tráfico de drogas em portos

A PF (Polícia Federal) e a Receita Federal realizam duas operações, em seis Estados, nesta terça-feira (10) contra quadrilhas que colocam drogas dentro de contêineres utilizados no transporte de mercadorias legais via portos para o exterior. As ações "Oceano Branco" e "Contentor" cumprem 104 mandados de busca e apreensão45 de prisão preventiva15 de prisão temporária e 12 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar esclarecimentos).

Os focos das operações desta terça-feira são os portos catarinenses de Itajaí e Itapoá. Mas a rota marítima da cocaína -- que sai dos países andinos e é levada de navio à Europa -- passa por diversos outros portos brasileiros, principalmente em São Paulo e no Paraná.

As ações, que envolvem cerca de 450 policiais federais, ocorrem nos Estados de Santa CatarinaRio Grande do SulSão PauloRio de Janeiro, Pernambuco Paraíba. Nesses Estados estão sendo realizados sequestros de bens móveis e imóveis, bloqueio de contas bancárias, prisões e conduções coercitivas. A Receita Federal participa das ações com 25 servidores.

Nas duas operações houve apreensões de droga no país e no exterior, em procedimentos de cooperação policial internacional.

No final de setembro, reportagem do UOL mostrou que havia uma rota marítima da cocaína. Os portos marítimos brasileiros se tornaram um ponto de passagem fundamental na rota do tráfico de cocaína entre os países da América do Sul que a produzem e o mercado consumidor na Europa. Narcotraficantes estavam corrompendo trabalhadores portuários, recheando contêineres com drogas e tentando burlar sistema de raio-x.

A Polícia Federal afirmou que os criminosos catarinenses tinham ligações com quadrilhas de traficantes internacionais que operam no porto de Santos.

Como a droga é colocada em contêineres pelo tráfico?

Até o fim da manhã desta terça-feira ao menos 56 pessoas haviam sido presas. Segundo a Polícia Federal e a Receita Federal, os dois principais líderes das quadrilhas que operavam o esquema lucraram cerca de R$ 150 milhões nos últimos cinco anos.

Um dos fornecedores dos suspeitos seria o bando do traficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, suspeito de controlar o tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai. Cabeça Branca foi preso no mato Grosso em julho. 

Pequenos aviões

A operação "Contentor" começou no final do ano passado em Joinville (SC) e, segundo a PF e a Receita, levou a cinco grandes apreensões de drogas, inclusive na Bélgica. Foram cerca de duas toneladas de cocaína confiscadas.

O entorpecente era comprado na região de fronteira, geralmente na área boliviana, e entrava no Brasil em pequenos aviões que pousavam em São Francisco do Sul (SC). "De lá, era levado para chácaras onde era acondicionado em grandes bolsas para posterior inserção em contêineres que sairiam pelo porto de Itapoá", segundo a PF.

Os aviões carregavam até 700 quilos de cocaína e pousavam em pistas de pequenos aeroclubes de Santa Catarina. De lá, a droga era levada de carro até os portos.

Essa ação tem ordens judiciais expedidas para Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro.

Drogas dentro de abacaxi em latas

Mais antiga, a operação "Oceano Branco" foi iniciada em março de 2016 em Itajaí (SC). Foram encontradas pela Receita Federal e apreendidas pela PF seis toneladas de cocaína em doze diferentes ações, sendo seis no Brasil e outras seis na Bélgica, na França e na Espanha.

"A investigação apurou que três grupos criminosos vinham embarcando volumosas quantidades da droga através de contêineres que partiam do complexo portuário Itajaí-Navegantes, escondida em cargas de mercadorias como bobinas de aço, abacaxi em latas e blocos de granito", aponta a PF.

De acordo com os investigadores, é possível vincular a atuação dos suspeitos a outros carregamentos interceptados por autoridades policiais na Itália, na Dinamarca, na Espanha, na Turquia e na Arábia Saudita, totalizando outras 2,5 toneladas da droga.

As ordenas judiciais são cumpridas em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Crimes

Segundo a PF, os investigados poderão ser indiciados pelos crimes de tráfico e de associação ao tráfico internacional de entorpecentes, além do de falsificação de documentos e de uso de documentos falsos.

As penas para cada evento de tráfico internacional podem chegar a 25 anos de prisão, além de 10 anos de reclusão por associação.

Portos do país viram ponto de passagem do tráfico para a Europa

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