Dia de violência por guerra de facções em Macaé tem PM morto e toque de recolher

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

Uma disputa entre facções rivais pelo tráfico de drogas em Macaé (RJ), na região dos Lagos, instaurou o pânico entre os residentes da região nesta terça-feira (9).

Comerciantes e moradores entraram em toque de recolher e fecharam as portas de lojas ainda durante o dia. Quatro ônibus foram queimados, e o serviço de transporte público foi interrompido na cidade. Cinco pessoas ficaram feridas e um policial militar foi morto em confronto com criminosos.

Cerca de 100 policiais trabalham na região. De acordo com informações da PM, o cabo José Renê Araújo Barros, 35, foi ferido em operação na comunidade Lagomar e não resistiu. Trata-se do primeiro policial militar a morrer em serviço no Estado do Rio de Janeiro em 2018, num total de quatro assassinados somente neste ano.

Um perfil no Twitter, que se declara vinculado à facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), disse que moradores da cidade não devem sair de casa na noite desta terça. A facção disputa o comando do tráfico de drogas na região com o CV (Comando Vermelho) desde o final do ano passado.

Divulgação
Mensagem do Disque Denúncia pede informações sobre morte do PM José Renê Araújo Barros, morto em Macaé (RJ)
Em entrevista ao programa "Band Notícias", da Band FM de Campos, o secretário de Segurança do Estado, Roberto Sá, disse que a Polícia foi informada que os conflitos entre grupos teriam início.

"Notícias da área de inteligência sinalizavam para um embate entre facções criminosas. Mais uma vez, o tráfico de drogas, muito bem armado, criando essa lógica expansionista. A Polícia Militar, que já estava atenta, fez uma incursão em uma área em que havia criminosos de uma determinada facção. Houve um embate entre criminosos e a Polícia Militar e, lamentavelmente, nós perdemos um policial em serviço defendendo a sociedade", comentou.

Ele tentou tranquilizar moradores da região. "Em primeiro lugar, a polícia vai ficar aí na região até a situação voltar à normalidade. A vida deve tentar seguir a normalidade. A polícia está aí, está presente e não vai se ausentar", declarou Sá. "Vamos buscar todos os autores de crimes para que sejam autuados e [vamos] fazer com que eles cumpram suas penas (...) Posso garantir ao morador de Macaé que as Polícias Militar, Civil e Federal estão trabalhando para restabelecer a ordem", disse.

O secretário de Segurança disse também que o comandante intermediário da PM da região está em Campos pessoalmente coordenando as ações --sem mencionar o nome do oficial, contudo.

Sá afirmou que está em andamento a criação da Delegacia de Homicídios do Norte Fluminense, que vai atender a toda a região de Macaé, Campos e Cabo Frio. "É uma medida para qualificar a investigação que envolva morte violenta. Estudos internos da Polícia Civil apontam que 80% das mortes violentas são relacionadas a tráfico de drogas", numerou o secretário.

A taxa de homicídios da Região dos Lagos foi de 45,6 mortes para cada 100 mil habitantes em 2017, segundo dados baseados no ISP (Instituto de Segurança Pública). O índice é o pior do Estado, quando comparado com a capital, Baixada Fluminense e outras regiões do Rio de Janeiro.

O Disque Denúncia está oferendo recompensa de R$ 5 mil para quem trouxer informações que ajudem a esclarecer a morte do cabo da PM baleado nesta terça. Barros era casado e deixa três filhos.

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