Violência no Rio

Grávida baleada fala em perdão a criminosos e pega bebê pela 1ª vez: "um milagre"

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Fabiano Rocha/Agência O Globo

    25.jan.2018 - Michelle e o marido estão ansiosos para receber o pequeno Antonio em casa

    25.jan.2018 - Michelle e o marido estão ansiosos para receber o pequeno Antonio em casa

Ainda é cedo para o bebê Antonio Esdras deixar a UTI neonatal, mas a mãe Michelle Ramos da Silva Nascimento, 33, e o pai, Wallace Araújo, 34, não têm motivos para reclamar. Michelle recebeu alta na quarta-feira (24) após ser baleada na cabeça durante tentativa de assalto em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, no dia 13 deste mês, e o menino --que nasceu após uma cesariana de emergência na mesma data-- continua internado no Hospital de Clínicas Mario Lioni, em Duque de Caxias, também na baixada.

"Ele não vai ter alta ainda, então minha rotina diária vai ser vir até aqui [UTI neonatal]", disse Michelle em entrevista ao UOL por telefone. A mãe do pequeno Antonio Esdras diz que um exame descartou lesão no cérebro do bebê.

"Ele está melhorando, respirando com os seus próprios pulmões a 100% de ventilação. Fez uma ultrassonografia do cérebro, não foi diagnosticada nenhuma lesão cerebral. Eu estou muito feliz e sou muito grata a Deus", comemorou.

O quadro clínico do bebê evoluiu do estado grave para em recuperação, embora ele ainda esteja na Unidade de Tratamento Intensivo sob monitoramento médico. Segundo boletim do hospital desta quinta (25), "o bebê respira de forma natural, iniciou a alimentação por sonda e segue sob os cuidados da equipe médica".

Emocionado, o pai da criança relatou que Michelle pegou Antonio pela primeira vez no colo nesta quinta. "Ela ficou muito, muito emocionada [ao pegar o bebê]. Ela chorou demais. Ela chorou muito, muito mesmo."
 
A criança também deve começar a se alimentar com o leite materno. "Ela está no lactário para ver se consegue tirar [o leite]. Se sair, ele vai ser alimentado com o leite dela", diz Wallace.
 
O casal fala em perdoar os criminosos que dispararam contra Michelle, então no oitavo mês de gravidez. "A Michelle disse que o perdoaria, sim, porque quem seria ela para não perdoar, se ela serve a um Deus que perdoa as transgressões, os erros e os pecados? Seria injusto se ela não perdoasse", afirmou o marido.

Michelle visita o filho todos os dias desde o último domingo (21), quando ambos foram transferidos do Hospital da Posse e da Maternidade Municipal Mariana Bulhões, em Nova Iguaçu, para o Mario Lioni.

[Conhecê-lo] foi uma emoção forte. É um amor incondicional. Converso com ele para que ele ouça a minha voz. Digo: 'eu te amo, eu te amo, eu amo muito você.

Michelle Ramos da Silva Nascimento

"Eu creio que seja um milagre. E eu creio que o milagre só aconteceu em nome de Jesus'", disse ela.

Michelle agradeceu a todos que torceram por sua recuperação. "Eu quero que Deus abençoe a vida de vocês, sou muito grata por todas as orações. Que Deus guarde a família de vocês. Agradeço a todas as orações", disse, evitando comentar a respeito dos criminosos que a balearam. "Deixo tudo nas mãos de Deus."

O crime

"Foi muito violento e brutal. Não falaram nada. Nunca que eu reagiria a um assalto com a minha mulher grávida de oito meses", disse Wallace.

Ele conta que um carro à sua frente seguia em baixa velocidade em uma estrada de Belford Roxo. Quando tentou ultrapassar, o carro de Wallace foi fechado pelos criminosos. Até então, o marido de Michelle supunha que se tratava de uma barbeiragem de trânsito. Quando Wallace tentava novamente contornar o carro, um dos criminosos saiu atirando com uma pistola.

"Outro me abordou e eu disse: 'cara, olha o que você fez, você matou minha esposa!' O terceiro saiu com um fuzil e disse: 'entra e vamos embora. Você matou ela!'. Eles fugiram e o meu carro não ligou. Ainda bem, porque se eu fosse atrás eles poderiam achar que eu os estava perseguindo", relatou.

Wallace lembrou que havia uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) nas imediações e partiu até lá. Michelle estava consciente e chegou a tirar os pés do carro. Recebeu atendimento imediato e, de lá, foi encaminhada ao Hospital da Posse.

Na 54ª DP, ele ouviu de policiais que os criminosos seriam encontrados. "Ainda tenho fé de vê-los pedindo perdão à minha esposa. Pedindo perdão por toda a agressão que eles cometeram. Não sei de que forma ou circunstância, mas eu os verei pedindo perdão à Michelle."

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