Violência em São Paulo

Os US$ 5 milhões roubados em Viracopos estavam saindo do Brasil irregularmente?

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

Uma operação especial da PF (Polícia Federal) em Campinas, no interior de São Paulo, tenta localizar os criminosos que levaram, na noite de domingo (4), US$ 5 milhões --equivalentes a R$ 16,5 milhões-- de dentro do aeroporto internacional de Viracopos.

Por enquanto, a polícia tem apenas uma certeza: os criminosos estavam com um plano estratégico orquestrado para levar o montante certo, numa operação rápida e, se possível, sem deixar vítimas. Os ladrões estavam com fuzis, chegaram a render seguranças, mas não feriram ninguém.

Como os criminosos agiram?

Cinco homens armados com fuzis chegaram ao aeroporto através do bairro Jardim Planalto de Viracopos. Por volta das 21h30, o bando cortou um alambrado que fica paralelo à pista de voos. Eles entraram em um Toyota Hilux, clonado, como o da empresa de segurança local, e foram até o terminal de cargas.

Os criminosos se aproximaram do avião cargueiro da empresa aérea alemã Lufthansa e renderam os funcionários da companhia e do carro-forte da empresa de valores Brinks. Eles carregaram a caminhonete com o montante e fugiram arrombando um portão próximo do local de onde entraram.

A ação durou quanto tempo?

Segundo o aeroporto e a PF, a ação durou cerca de seis minutos e ninguém ficou ferido.

O que os criminosos fizeram depois?

Em uma estrada de terra, do bairro Jardim Planalto, os criminosos incendiaram o carro utilizado para o roubo. Na sequência, entraram em um outro automóvel e fugiram em disparada. 

Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
Dinheiro seria levado para um cofre da empresa de valores Brinks enquanto as cargas eram reequilibradas no avião iria para a Alemanha. De lá, o montante iria para a Suíça

Os criminosos foram identificados?

Ainda não. Segundo a PF, foi instaurado ainda na segunda-feira inquérito policial para investigar o roubo. Procurada nesta terça-feira, a PF informou que já foi feita perícia no local e que diligências estão em andamento. Ninguém foi preso até o momento.

De quem era o dinheiro?

Até o momento, nem PF, nem Lufthansa nem Brinks informaram de quem era o dinheiro. Questionada, a Receita Federal informou que é limitada pela lei do sigilo fiscal. Por isso, não é possível informar o dono da fortuna.

De onde o montante veio e para onde ele iria?

A Receita confirmou que o dinheiro foi carregado no aeroporto internacional de Guarulhos (Grande São Paulo), chegou a Viracopos e faria duas escalas antes de chegar a Zurique, na Suíça. Já a Lufthansa afirmou que seu voo tinha como destino Frankfurt, na Alemanha, com uma parada em Dacar, no Senegal. Como o dinheiro iria ser levado de Alemanha para a Suíça não está claro.

Em Viracopos, por que o dinheiro foi retirado do avião se ele seria levado na mesma aeronave para a Europa?

De acordo com a Receita, por questões técnicas, na hora de embarcar outras cargas, pode ser necessária a retirada de todas as cargas, para que os pesos sejam redistribuídos dentro do avião. Por isso, é comum a retirada de mercadorias.

Houve falhas na retirada?

Não é possível afirmar. Havia um carro-forte ao lado do avião. No entanto, não se sabe se houve descuido por parte dos funcionários. A empresa Brinks afirmou apenas que está à disposição das autoridades para o esclarecimento dos fatos.

Denny Cesare/Código19/Estadão Conteúdo
As investigações sobre a ocorrência no aeroporto são lideradas pela Polícia Federal

Como o dinheiro estava embalado?

Não se sabe ao certo. Ele poderia ter sido carregado em malote, caixa ou mala. Em geral, a remessa de dinheiro para o exterior é coberta por seguros.

A remessa do dinheiro era ilegal?

Não. A remessa foi declarada à Receita e ao Banco Central, não aparentando irregularidades.

É possível rastrear as cédulas roubadas?

Esta é uma pergunta em aberto. É possível identificar o número de série do dólar, assim que ele for vendido. Mas para ser identificado, é necessário, antes, que a vítima do roubo informe quais são as séries dos dólares roubados.

É comum transferir grande quantia em espécie entre países?

Segundo a Receita, a transferência usual de divisas é eletrônica. No entanto, às vezes, as instituições que operam com câmbio têm a necessidade de fazer ajuste em espécie, para o fluxo de caixa.

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