Violência no Rio

Família de jovem morto ao furar bloqueio critica militar: "por que um tiro no pescoço e não na moto?"

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Arquivo Pessoal

    Diego Augusto Ferreira, 25, morto após furar blitz do Exército na zona oeste do Rio

    Diego Augusto Ferreira, 25, morto após furar blitz do Exército na zona oeste do Rio

A família de Diego Augusto Ferreira, 25, morto após furar uma blitz do Exército em um bairro da zona oeste do Rio de Janeiro, na noite de sábado (12), acusou os militares de despreparo e questionou a necessidade de o soldado atirar no jovem.

"Eu te pergunto: qual a necessidade de um tiro no pescoço e não na moto? Diego era um rapaz trabalhador", disse a avó que criou o jovem desde que ele tinha um ano de idade. Sem detalhar a dinâmica da ocorrência, o CML (Comando Militar do Leste) afirmou que o disparo foi frontal, e não pelas costas.

A dona de casa Vera Lúcia Marcelino, 67, contou ao UOL que Diego trabalhava como camelô vendendo bolsas na Uruguaiana, centro do Rio. Segundo ela, o jovem saiu com uma moto emprestada de um vizinho para comprar óleo para o carro do avô.

Ela disse ainda que o neto pode não ter ouvido a ordem de parada dos militares. "Aquele menino não escutava direito, a moto ainda era barulhenta, ainda tem o barulho de trânsito do lugar, mas preferiram atirar."

No Facebook, um amigo de Diego que esteve com ele 20 minutos antes do ocorrido disse que a vítima não parou pois não tinha habilitação para pilotar a moto. "Não parou porque não era habilitado e a moto não era dele e [estava] sem capacete", escreveu o colega.

A morte de Diego foi a primeira provocada pelas Forças Armadas desde o início do processo de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, iniciado em fevereiro. Um ônibus foi incendiado na região em protesto após a morte do rapaz.

O caso ocorreu na rua Salustino Silva, a menos 1 km, da casa onde Diego morava em Magalhães Bastos.

"Passei muito mal quando vieram avisando que ele estava caído no chão lá. Entrei em pânico. Não tive nem coragem de chegar perto. Tá todo mundo revoltado aqui", lamentou a avó.

O que diz o Exército

No final de semana, o Comando Militar do Leste informou, por meio de nota, que o motociclista "foi atingido por um disparo de arma de fogo proferido por um dos soldados que operavam o posto". O CML afirmou que todas as providências legais cabíveis foram tomadas, além de destacar que as circunstâncias estão sendo apuradas. O dono da moto que estava com a vítima esteve no local para prestar esclarecimentos.

Contra a moto utilizada por Diego havia uma anotação de roubo. Autoridades do Exército vão investigar se o jovem estava pilotando uma moto roubada. Entorpecentes também foram encontrados com o rapaz.

Segundo uma fonte das Forças Armadas, o fato de usar uma moto supostamente com queixa de roubo, portar drogas ou ter antecedentes criminais podem, em tese, ter motivado a atitude do rapaz, mas isso ainda será apurado no inquérito que deverá apurar a conduta do militar ao atirar contra o suspeito. Porém, a investigação não deve se focar nisso, mas sim em se ele cometeu um "ato ameaçador" ao avançar em velocidade contra um grupo de militares.

Questionado nesta segunda-feira (14) sobre as críticas da família, o CML reiterou o posicionamento anterior e disse que "não se manifestará sobre o caso, haja vista a instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) que apontará as circunstâncias. Ressalta-se que as manifestações fora do inquérito atrapalham a investigação e o curso da apuração dos fatos".

Entenda o que as Forças Armadas podem fazer em ações no Rio

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