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De confeiteira a barbeiro: população se mobiliza para ajudar caminhoneiros em greve

Reprodução/Facebook
Caminhoneiros fazem a barba de graça durante manifestação em Ponta Grossa (RS) Imagem: Reprodução/Facebook

Rafael Pezzo

Colaboração para o UOL

25/05/2018 18h00

A paralisação dos caminhoneiros em 22 estados mais o Distrito Federal tem mobilizado populares a ajudar os grevistas. Nas redes sociais, é comum ver publicações ora pedindo mantimentos e produtos básicos, ora entregando essas doações aos manifestantes.

Em Erechim, a cerca de 370 km ao norte de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, motoboys fizeram uma campanha com o comércio local para arrecadação das doações. Na cidade, cerca de 100 manifestantes estão com os caminhões estacionados no entroncamento da BR-153 com a RS-135.

Segundo David Oliveira, um dos organizadores do mutirão, o grupo procurou confeitarias e padarias e conseguiu distribuir 400 pães, além de outros alimentos. O sucesso foi tanto, que "os caminhoneiros tiveram de abrir a câmara fria de um baú para poder estocar as doações, caso contrário iriam estragar", disse o motoboy.

Motoristas de transporte escolar também se juntaram ao movimento, colhendo água, pães, carnes, frutas, arroz e refrigerante na cidade para levar aos caminhoneiros, segundo o condutor de van Tiago José Balbinot.

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Nesta sexta (25), os motoristas fizeram uma carreata pela cidade. “Hoje, também aderiram à paralisação o transporte escolar e o de faculdades, que fazem um trecho intermunicipal. As linhas de ônibus públicos estão rodando parcialmente, só entre o meio-dia e o final da tarde”, concluiu Balbinot.

Segundo o motoboy David Oliveira, a população tem se mostrado favorável à greve. "Os donos do comércio em geral vêm até os pontos de paralisação para demonstrar total apoio ao movimento", completa.

Barba e cabelo

Além de receber mantimentos e comida, os caminhoneiros parados em Ponta Grossa, no Paraná, a cerca de 130 km ao oeste de Curitiba, receberam também serviços gratuitos de barbearia dos moradores da cidade. Nesta quinta-feira (24), donos de seis estabelecimentos da cidade foram a um ponto de paralisação e fizeram a barba e o cabelo de alguns motoristas de graça.

“Alguns clientes meus falaram dessa manifestação e eu fui lá ver, na quarta. Então, pensei que poderia ajuda-los com os meus serviços”, explicou o barbeiro Marcelino Chamorro Valenzuela. Foi então que ele reuniu outros prestadores do serviço e montou um grupo para atender os grevistas. 

Ao todo, ficaram seis profissionais no local, das 9h às 15h30, atendendo cerca cerca de 120 grevistas, segundo o barbeiro José Diego.

A busca agora é por mais doações para que os caminhoneiros consigam se manter durante a manifestação. “Estamos arrecadando comidas, roupas que vamos entregá-los para que consigam se manter por quanto tempo mais eles quiserem”, completou Marcelino Valenzuela.

Apoio de confeiteira

Cerca de 300 caminhoneiros estão estacionados na bifurcação entre as estradas SP-380 e SP-340, em Mococa, a cerca de 300 km ao norte da capital paulista. Após ver a condição dos grevistas, Ana Paula Pereira, que trabalha como confeiteira na cidade, fez um apelo aos amigos pelo Facebook, pedindo doações de alimentos, roupas e água.

"Eu recebi tanta doação, que tive que pedir para o pessoal parar de mandar coisas. Conseguimos fazer uma sopa para eles na noite de quinta-feira [24], almoço nesta sexta-feira [25] e ainda tem o suficiente para mais duas refeições amanhã (sábado)", afirmou Ana Paula.

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Moradores de Mococa (SP) doam alimentos a caminhoneiros durante greve Imagem: Reprodução/Facebook

De acordo com a confeiteira, a cada dia, um restaurante diferente da cidade disponibiliza a cozinha para o preparo das refeições. Com a ajuda do marido, Fabio Vaz Lobo, eles também conseguiram pães e frios, distribuídos nesta sexta-feira (25).

Segundo Lobo, caminhões carregados com cargas vivas, medicamentos e galões de oxigênio estão sendo liberados pelos manifestantes. "A cidade já está praticamente zerada em combustíveis, mas não ligamos para isso. Estamos totalmente de acordo com esse protesto", afirmou.