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Bebê é resgatado por policiais após ser enterrado vivo no MT; assista

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL

06/06/2018 14h37

Uma índia recém-nascida foi resgatada após ser enterrada viva no quintal de casa pela própria bisavó, em Canarana, a 838 km de Cuiabá, no Mato Grosso. Em relato ao UOL, a Polícia Militar informou que a menina, que pertence à tribo Tamayura, ficou sete horas debaixo da terra até ser encontrada. A mãe da criança foi liberada, já a bisavó está presa.

O bebê foi encaminhado, nesta terça-feira (5), para o Hospital Regional de Água Boa, com suspeita de duas fraturas no crânio. Já nesta quarta (6), segundo os médicos da unidade de saúde, a menina apresentou insuficiência respiratória. Ela, no entanto, não corre risco de morrer.

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Na delegacia, a bisavó da criança disse que enterrou o bebê por acreditar que ela estava morta, já que ao cortar seu cordão umbilical não ouviu choro e tampouco percebeu algum tipo reação. Segundo a Polícia Civil, a índia afirmou que é costume da tribo enterrar parentes mortos sem avisar à polícia ou qualquer autoridade.

O resgate da recém-nascida, realizado após denúncia anônima, foi filmado pelos próprios policiais militares. Enquanto tentava cavar a terra para retirar a criança, um dos agentes pedia cuidado.

"Não puxa muito não. Chama a ambulância, liga pro hospital. Ela está chorando", disse um major. A bebê foi enterrada viva por volta das 14h e salva às 21h. Aos policiais, a avó disse que a criança teria nascido morta, de um parto prematuro. Mas segundo avaliação médica, a criança não é prematura, e sim, de uma gestação normal.

Ao UOL, a Polícia Militar disse que uma denúncia anônima levou as autoridades ao local. O relato era que uma criança havia nascido morta e enterrada no quintal da casa.

Menina recém-nascida foi resgatada após ser enterrada viva no Mato Grosso - Divulgação/Polícia Civil
Menina recém-nascida foi resgatada após ser enterrada viva no Mato Grosso
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

“Não dá para descrever a sensação ao começar cavar e ouvir o choro da criança. Deu um desespero para cavar ainda mais depressa, com as mãos, com cuidado. A bebezinha é tão pequenina, coube nas duas mãos. Tantas horas depois de enterrada, é um milagre”, relatou o major João Paulo Bezerra do Nascimento, comandante da 5º Companhia, a reportagem.

A bisavó da criança, Kutz Amin, 57, foi presa e está em poder da Polícia Civil, pontuou o major. A mãe, identificada como M.P.T., 15, prestou depoimento, passou por avaliação médica e foi liberada. O pai do bebê, K.K, de idade não-revelada, também é suspeito de participação no crime. Segundo a PM, ele não teria assumido a paternidade e já estaria morando em outra aldeia com outra índia.

“A mãe e a avó do bebê contaram que a jovem sentiu fortes dores (contrações) e foi ao banheiro sozinha, momento em que deu a luz à menina. Ao nascer, a criança teria batido a cabeça no vaso sanitário, ocasionando sangramento", disse o delegado Deuel Paixão de Santana. Segundo ele, foi a bisavó da criança quem cortou o cordão umbilical do bebê e enterrou a recém-nascida.

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