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Tiroteio provoca fechamento do bondinho do Pão de Açúcar no Rio

Do UOL, no Rio

08/06/2018 15h50Atualizada em 08/06/2018 19h29

Um tiroteio entre policiais e criminosos no bairro da Urca, na zona sul carioca, na região da praia Vermelha, provocou o fechamento do bondinho do Pão de Açúcar, um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro, por volta das 15h desta sexta-feira (8).

A administração do bondinho afirmou que 100 turistas foram impedidos de descer do bondinho. Eles foram abrigados em um anfiteatro dentro do complexo, onde receberam cobertores e alimentação. Às 17h, o funcionamento foi retomado para que os visitantes pudessem descer. A operação, porém, já foi encerrada. Segundo a assessoria do bondinho, é a primeira vez que o serviço, iniciado em 1909, é paralisado por conta da violência urbana. 

Moradores da região relataram trocas de tiros na região das favelas dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, na praia do Leme, bairro vizinho a Copacabana, onde as facções criminosas Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro disputam o controle de pontos de venda de drogas. O novo episódio de violência é reflexo dessa guerra de traficantes --a área da Urca é vizinha à região onde ficam os morros do Leme.

A Polícia Militar informou que iniciou às 8h desta sexta-feira uma operação, planejada com base de dados de inteligência, nas favelas Babilônia e Chapéu Mangueira. A ação começou em uma região de mata. Por volta das 13h, os policiais encontraram um grupo de criminosos em uma região de floresta e entraram em confronto com eles.

Testemunhas afirmaram que criminosos teriam tentado fugir dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira por uma trilha pela mata. Eles teriam se deparado com policiais ao chegar a uma área próxima à estação de embarque do bondinho da Urca.

8.jun.2018 - Policiais carregam homem ferido após tiroteio na região da Praia Vermelha, no Rio - Reprodução
8.jun.2018 - Policiais carregam homem ferido após tiroteio na região da Praia Vermelha, no Rio
Imagem: Reprodução

No confronto, um policial militar foi ferido nas pernas, sem gravidade, por estilhaços de granada --o agente foi socorrido de barco e levado para o hospital da Polícia Militar. Uma foto que circula nas redes sociais mostra o PM sendo carregado por colegas. Policiais do Bope (unidade de elite da polícia carioca) participaram da ação. Um suspeito foi preso ao tentar fugir pela mata em direção à Praia Vermelha.

Uma das turistas do grupo era a mexicana Maria Naranjo, que veio ao Rio com um grupo de colegas, estudantes de medicina. "Escutamos os tiros, mas pensamos que eram fogos. Ficamos assustadas e com muito medo. É a nossa primeira vez em Brasil. Na Cidade do México não tem muito disso, então foi algo que nos impactou, pois estávamos muito perto do que aconteceu", disse Maria.

O chileno Juan Manoel Cortez custou a entender o que se passava, achando que o barulho dos tiros e granadas, do confronto entre policiais e traficantes, fossem apenas trovoadas. "Escutamos os tiros, mas primeiro pensamos que eram trovões. Aí nos pediram que ficássemos em um lugar seguro, no teatro que tem lá em cima. Não nos deram muitas informações, apenas que era um assunto policial e que era mais seguro ficarmos lá. No Chile não temos muito este tipo de situação", declarou Juan, que trabalha como auxiliar de laboratório e visita o Rio pela segunda vez.

Para o turista uruguaio Gonzalo Taveira, a violência urbana, se não for contida, poderá afetar a imagem do Rio e reduzir o número de visitantes. "Eu fico com muita pena, pois a cidade é maravilhosa, é muito linda, mas tem que controlar essa questão da insegurança, porque a gente fica nervoso. Ficamos dentro do auditório, mas não podíamos ir para a encosta do morro, por causa de alguma bala perdida. Estávamos muito assustados, um amigo meu ficou chorando", disse Gonzalo Taveira, que trabalha como contador.

Em outros vídeos gravados na região da Praia Vermelha e publicados nas redes, é possível ouvir sons de disparos de fuzil. Moradores narram que alguém estaria atirando em embarcações e dizem que helicópteros sobrevoam o local.

O confronto ocorreu próximo a uma região militar, onde ficam a Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército) e a Fortaleza São João, área em que se localizam diversas unidades e residências militares, entre elas, a Escola Superior de Guerra.

A região da Urca, onde se localiza o bondinho, um dos cartões postais do Rio - Wikipedia
A região da Urca, onde se localiza o bondinho, um dos cartões postais do Rio
Imagem: Wikipedia

O Comando Militar do Leste afirmou que a Polícia Militar está no comando da operação, mas disse que o 1º Batalhão de Guardas do Exército foi acionado para proteger uma vila residencial militar na região do morro da Babilônia e instalações do Exército no Leme e na Praia Vermelha.

Na última terça-feira (5), a região do Leme registrou um de seus piores tiroteios, quando membros das duas facções se enfrentaram durante a madrugada. O Bope foi mandado ao local e entrou em confronto com os criminosos. Ao menos dois suspeitos morreram. (Com informações da Agência Brasil)

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