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Garis fazem rapel e retiram 7 toneladas de lixo em morro no Rio

Grupo especial de garis faz limpeza no Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro - Pablo Jacob / Agência O Globo
Grupo especial de garis faz limpeza no Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro Imagem: Pablo Jacob / Agência O Globo

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

23/08/2018 20h01

Uma equipe especial de lixeiros que praticam técnicas de alpinismo foi mobilizada na quinta-feira (23) para retirar sete toneladas de lixo jogado por moradores de uma favela na encosta do Morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro. Os garis trabalharam a cerca de 60 metros de altura.

Segundo funcionários da Comlurb, a Companhia de Limpeza Urbana do Rio, muitos moradores de favelas da cidade preferem atirar o lixo doméstico – e até sofás e geladeiras – do alto dos morros ao invés de transportá-lo até os pontos de coleta, por vezes situados nas entradas ou no interior das favelas.

Por causa disso, a equipe de rapel da Comlurb, formada por cinco garis e um técnico, tem que fazer limpezas periódicas em ao menos 23 morros que têm favelas no Rio.

O rapel é uma técnica de alpinismo na qual o escalador amarra o corpo a uma corda presa no alto de um morro e desce uma encosta de forma controlada, com auxílio das mãos e dos pés e usando equipamentos de segurança.

“Nós chegamos a descer encostas de morros até 150 metros de altura. A gente vai descendo e derrubando o lixo para a equipe de coleta recolher lá embaixo”, afirmou o gari e alpinista Fernando Cunha, 31, que fazia varrição de ruas e foi recrutado para aprender alpinismo e fazer parte da equipe de rapel da companhia.

Eles utilizam enxadas, ceifadeiras e foices para derrubar o lixo de forma controlada. Os membros da equipe também são treinados para lidar com acidentes ou situações de perigo, segundo a Comlurb.

Equipe de rapel retirou sete toneladas de lixo de um morro de 60 metros de altura - Pablo Jacob / Agência O Globo - Pablo Jacob / Agência O Globo
Equipe de rapel retirou sete toneladas de lixo de um morro de 60 metros de altura
Imagem: Pablo Jacob / Agência O Globo

O serviço existe há cerca de oito anos e é acionado quando há grande acúmulo de lixo em uma encosta de morro. Entre os locais que precisam de ações constantes estão as favelas da Rocinha, Vidigal e Cantagalo, na zona sul do Rio, e o Morro da Providência, na zona norte.

"Temos que vir sempre fazer esse serviço porque as pessoas não param de jogar lixo no lugar errado. Mas o problema maior é a falta de respeito com o nosso trabalho. Às vezes estamos lá fazendo rapel e vem um morador no alto do morro e atira lixo em cima da gente. Há pouco tempo um amigo meu foi atingido", disse Cunha.

Ele afirmou ainda que o mais difícil é retirar grandes eletrodomésticos e móveis. “Um dos casos mais difíceis foi retirar uma geladeira de um morro muito próximo a prédios. Não podíamos derrubá-la porque ia atingir algum prédio. Tivemos que amarrá-la e descer com cordas e um aparelho especial”, disse.

Segundo Cunha, também há o problema da violência. “Uma vez estávamos limpando uma encosta no morro da Providência e começou um tiroteio. Eu e um colega conseguimos descer pelas cordas, mas uma parte da equipe teve que se esconder no mato”, disse ele.

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