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Cotidiano

Tiros, explosão e cerco: moradores relatam ataque criminoso em Bacabal (MA)

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

26/11/2018 11h36Atualizada em 26/11/2018 17h07

Os moradores de Bacabal (236 km de São Luís) relataram uma noite marcada por tiros, explosões, incêndios de carros nas ruas e reféns durante a investida de um grupo fortemente armado à cidade. O grupo realizou atentados contra a delegacia e a sede da PM (Polícia Militar) e assaltou os bancos entre a noite de domingo (25) e início de madrugada desta segunda-feira (26). A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que três suspeitos de participarem do crime foram mortos e outros sete foram presos.

Segundo relataram testemunhas, os criminosos fecharam todos os acessos da cidade com carros incendiados, e a ação durou pelo menos duas horas --o que fez com que os moradores não dormissem.

"Mesmo depois [do ataque], ninguém conseguiu dormir, todo mundo se falando pelo WhatsApp, com medo do pior ocorrer. Parecia uma guerra sem fim: tiros, explosões, todos trancados em casa com pânico. Foi muito ruim, demorou muito", relatou uma vendedora, que preferiu não revelar o nome.

Um outro morador de Bacabal contou ao UOL que o grupo chegou por volta das 22h30 e se dividiu em vários pontos da cidade, fechando também acessos do município. "Os bandidos entraram pelo fundo do prédio do INSS. Eram vários grupos, em vários bairros diferentes. Eles tocaram o terror atirando pra cima e gritando pra ninguém sair de casa", explicou.

Segundo a testemunha, o principal ataque ocorreu na agência do Banco do Brasil. "Eles abriram o cofre, e tinha um caminhão, e eles tiraram tudo de lá, colocaram o dinheiro dentro, e pegaram pessoas reféns que estavam nas ruas. Eles saíram nos carros e foram embora. Todos os reféns foram liberados logo depois", disse, citando que a ação terminou por volta da 1h da manhã.

O morador ainda informou que o clima na cidade nesta manhã é consternação, mas aos poucos as pessoas vão voltando à rotina. "O clima agora deu uma normalizada, mas as polícias estão todas aqui ligadas", afirmou.

Pelas redes sociais, muitos moradores também revelaram o medo durante a ação dos criminosos. "Nesta noite de domingo em Bacabal, o sentimento foi de medo. Quase duas horas de terror, bombas, tiros, amigos de reféns... Graças a Deus tudo já passou e espero que não volte a acontecer em lugar nenhum", postou um morador.

"Bom dia pessoal pra quem conseguiu/não conseguiu dormir em Bacabal, agora pela manhã, poucos trabalhadores voltaram ao seu dia de rotina e algumas escolas suspenderam as aulas com medo de outro possível ataque, já que informações que alguns bandidos não saíram da cidade", relatou outro morador. "Bacabal virou faroeste por uma noite", contou outra usuária.

Três mortos e sete presos

Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela, afirmou que o grupo que atacou Bacabal tinha "dezenas de pessoas" e era formado por integrantes da Bahia e de Tocantins, que se uniram a pessoas do Maranhão para praticar a invasão à cidade. Três suspeitos foram mortos, sendo um de cada estado da qual pertenciam os integrantes da quadrilha.

"Os policiais partiram para cima, neutralizaram definitivamente três criminosos e isso deu um recado claro para eles. Viram que a força letal também estava sendo usada contra eles. Por isso essa fuga estabanada deles para todos os lados. Tivemos informação de carros passando por várias cidades no sentido contrário a Bacabal”, informou Portela.

O secretario disse que cerca de 300 policiais estão participando da operação de busca por suspeitos. A ação inclui até buscas com um helicóptero. "Nós vamos buscar um a um, estejam em que lugar estejam aqui ou em qualquer lugar da terra, assim como fizemos em 100% dos casos de assalto a banco no Maranhão", afirmou.

Ainda segundo o secretário, sete pessoas foram presas por furtarem o dinheiro deixado pelos bandidos em fuga. "Entre elas está um soldado policial militar do Piauí armado no local, que vamos investigar profundamente para saber que ele fazia ali, se ele participou de alguma ajuda ou participação de cobertura à quadrilha", afirmou.

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