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Marcola, líder do PCC, será transferido a presídio federal de Porto Velho

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola

UOL Notícias

Aiuri Rebello, Flávio Costa e Luís Adorno

Em São Paulo

2019-02-13T16:22:13

13/02/2019 16h22

Resumo da notícia

  • Após decisão judicial, 22 integrantes do PCC foram levados a presídios federais
  • Destino dos presos, inclusive do líder Marcola, não havia sido divulgado inicialmente
  • Promotor que pediu transferência confirma ao UOL que líder irá para Porto Velho

Apontado como líder máximo da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, será transferido para o presídio federal de Porto Velho, capital de Rondônia. A informação foi confirmada ao UOL pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya e por mais três fontes ligadas ao processo de transferência da cúpula da organização para unidades federais.

"Ainda não recebi a listagem oficial do Ministério da Justiça, mas esta é a informação que tenho sobre esta liderança", afirma o promotor. "Eles serão separados em grupos e mesmo os que forem para o mesmo presídio ficarão em alas diferentes para evitar qualquer comunicação."

Gakiya é o autor do pedido que resultou na transferência de Marcola e outros 21 presos ligados ao PCC de penitenciárias estaduais no interior de São Paulo para presídios federais na manhã desta quarta-feira (13). Eles foram divididos em grupos e levados para três estados. Além do presídio federal de Porto Velho, os de Brasília e Mossoró (RN) também receberão os membros da facção. As unidades são administradas pelo Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A escolta dos presos é realizada por agentes de execução penal do Gaep (Grupo de Ações Especiais Penitenciárias), um setor de elite do Depen. O órgão criou ainda uma força-tarefa, com base em Brasília, com o objetivo de agir em qualquer situação de "ameaça" nos presídios do país.

"Papuda não quero"

Segundo o secretário da Administração Penitenciária, o coronel da PM Nivaldo Restivo, a meta é manter os integrantes do PCC inicialmente por 360 dias em presídio federal. Nos primeiros seis meses eles estarão em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), ou seja, em isolamento.

A defesa de Marcola afirmou desconhecer a informação de que seu cliente vá para Porto Velho. "Disseram que ele iria para Brasília, mas ele não queria aceitar: 'Papuda não quero'". 

Rodízio por penitenciárias federais

Marcola não deverá permanecer por um período superior a seis meses na capital de Rondônia. A intenção é a de que o detento passe por outros presídios federais, o que dificultaria possíveis tentativas de fuga. Além dos já citados, existem unidades em Catanduvas (PR) e Campo Grande (MS).

Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira estabelece que os presídios federais na capital de Rondônia e em Mossoró contarão com reforço de segurança feito pelo Exército nos próximos 12 dias. 

Ainda nesta quarta, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, editou portaria que torna mais rígidas as regras para as visitas sociais aos presos em penitenciárias federais de segurança máxima.

De acordo com a norma, a visita no Sistema Penitenciário Federal pode ocorrer em pátio de visitação, em parlatório e por videoconferência. No entanto, quando de tratar de presídio federal de segurança máxima, as visitas serão restritas ao parlatório e por videoconferência, "sendo destinadas exclusivamente à manutenção dos laços familiares e sociais, e sob a necessária supervisão".

O governador João Doria (PSDB) afirmou no início da tarde que o planejamento feito entre os governos estadual e federal para transferir os presos do PCC (Primeiro Comando da Capital) levou 50 dias.

Movimentação na região de Presidente Prudente durante a transferência

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