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"Não consigo reconhecê-la", diz irmão de mulher espancada no Rio

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

18/02/2019 13h13

Resumo da notícia

  • Elaine Caparróz foi agredida por Vinícius Batista Serra, preso em flagrante
  • Ela teve pontos de fratura pelo rosto, olho inchado e inúmeros hematomas
  • Agressor deve responder por tentativa de feminicídio
  • Eles se conheceram via redes sociais
  • Vizinhos dizem que as agressões duraram 4 horas

"A situação é surreal", diz o programador Rogério Peres Caparróz sobre o que aconteceu com sua irmã na noite de sábado (16). A empresária Elaine Caparróz, 55, foi gravemente espancada por um homem dentro de seu apartamento, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. Vinícius Batista Serra, 27, foi preso ontem em flagrante e encaminhado ao Complexo Prisional de Benfica, na zona norte da cidade.

"Cada vez que eu vejo a minha irmã, eu não consigo reconhecê-la", disse Caparróz em entrevista à imprensa após visitar Elaine no hospital. Com várias fraturas, o rosto dela ficou desfigurado. A vítima está hospitalizada e precisará ser submetida a cirurgia plástica.

Aquela pessoa que está ali desfigurada não representa diretamente a fisionomia da minha irmã. Ele deixou minha irmã numa situação que eu não reconheço. E toda vez que chego lá para visitar minha irmã fico chocado. Não tem momento em que você se acostuma com aquela imagem

Rogério Peres Caparróz, irmão de empresária agredida no Rio

A empresária e o suspeito de agressão se conheceram pelo Instagram e vinham conversando havia oito meses, de acordo com o irmão da vítima. A ideia do encontro partiu, segundo ele, do agressor.

"Aquilo ali foi evoluindo para uma situação que ela achava favorável, uma situação comum, ela foi tendo confiança de ter um momento próximo. Em vez de se relacionar em um local fora, ela falou: 'vem me visitar aqui em casa'. Ela se sentiu mais confortável, mais segura para receber uma pessoa na casa dela", relatou Caparróz.

De acordo com a irmã, ficou tarde e o rapaz pediu para dormir no apartamento. Ela concordou, mas foi surpreendida na madrugada, acordada por ele com murros em seu rosto.

"Ela adormeceu. Quando foi 1h30, aconteceu o que aconteceu. Evoluiu para isso, uma violência gratuita dessa. Se tivesse um antepassado [criminal], uma coisa que desse um alicerce para isso, mas não existe isso."

Agressões duraram 4 horas

O irmão da vítima esteve no prédio dela e conversou com vizinhos. De acordo com ele, as agressões teriam ocorrido por um período de quatro horas. Os vizinhos pensaram que se tratava de "briga de casal", e a empresária chegou a gritar por socorro.

A empresária Elaine Caparróz antes e depois de ser espancada por Vinícius Batista Serra - Reprodução/Facebook e Reprodução/Instagram/Kyra Gracie
A empresária Elaine Caparróz antes e depois de ser espancada por Vinícius Batista Serra
Imagem: Reprodução/Facebook e Reprodução/Instagram/Kyra Gracie

"O 'ronda' [funcionário do condomínio] passou ali e falou: 'Ô, rapaz, o que está acontecendo? Vamos parar com isso.' Segundo o ronda, ele [o agressor] falou: 'Entra aí, então. Abre a porta e entra para você ver o que acontece'", disse. 

Os funcionários do prédio resolveram então chamar a polícia. "Na hora que um deles voltou [ao apartamento], a porta já estava entreaberta e ela estava numa poça de sangue. E aí ele falou para [o porteiro] segurar o rapaz porque ele estava descendo. Seguraram ela na portaria, chegou a polícia e algemaram ele, em flagrante."

"Minha irmã está com muitas fraturas no rosto. Ontem tivemos algumas informações sobre uma contusão no pulmão, algum problema que ela está tendo no pulmão e insuficiência renal", disse Caparróz sobre o estado de saúde da empresária. 

"Ela está muito abalada, traumatizada. Pelas informações que a gente tem, a violência partiu de uma situação gratuita. Nem ela sabe dizer como foi a evolução dessa raiva."

Nome falso e "surto psicótico"

De acordo com Caparróz, o agressor deu nome falso (Felipe) para entrar no prédio. 

Segundo a Polícia Civil, a delegacia já entrou com solicitação para prisão cautelar do suspeito. Em depoimento, o agressor alegou "surto psicótico" e afirmou "não se lembrar" do episódio. O UOL procurou a defesa de Serra, mas ela não foi localizada. O caso foi registrado como tentativa de feminicídio.

"Isso tem que ser averiguado, como que ele apresentou um nome diferente? Por que ele fez isso? Ele já tinha uma intenção?", questiona o irmão da empresária.

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