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"Eu não queria voltar, mas depois de hoje, eu quero", diz aluna em Suzano

Alunos e funcionários voltam à escola Raul Brasil em Suzano

UOL Notícias

Eduardo Lucizano, Marcelo Ferraz e Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo e em Suzano

19/03/2019 16h04Atualizada em 19/03/2019 19h48

Os alunos da escola estadual Raul Brasil foram recepcionados hoje para receber amparo de amigos e atendimento psicológico. Ontem, alguns foram ao colégio para recolher os pertences que deixaram na correria para fugir do massacre da última quarta-feira (13).

"Estão todos dando apoio psicológico, ouvindo as vítimas, uma interação para fazer com que a escola seja novamente um lugar de paz, tranquilo, está todo mundo com o mesmo sentimento de querer reconstruir", afirmou a dona de casa Patrícia Gomes, mãe de uma aluna.

Os alunos organizaram atividades para o reencontro desta terça. Às 13h, vestindo roupas brancas para "pedir por paz" e com flores e itens que lembrem as vítimas, eles fizeram uma reunião na escola.

Eu não queria, mas depois de hoje, acho que eu quero voltar
Maria Clara, aluna da escola

O grupo cantou, fez orações e prestou um minuto de silêncio de homenagem.

"Cena do crime não pode ser mais forte"

As ações de acolhimento contam com apoio de profissionais das secretarias estaduais de Educação, Saúde e Justiça, além de psicólogos de instituições como USP e Caps (Centro de Atenção Psicossocial), da Prefeitura de Suzano.

O trabalho é semelhante ao que foi feito ontem com professores e funcionários da escola. Cerca de 40 profissionais receberam apoio para estruturar o planejamento de retorno. Ainda não há previsão de quando as aulas serão retomadas.

"Você entra lá dentro e você sente, você vê aquelas imagens. Elas voltam com frequência. O estado tem que intensificar, isso não pode parar hoje e essa semana, tem que ter um acompanhamento intenso sobre esses alunos. O que eles passaram aqui não é normal de se ver, é traumática, se não for cuidado pode acarretar para o resto da vida deles", disse o comerciante Denis de Oliveira, pai de um aluno da escola.

O psicólogo Bruno Fedri, destacado pela secretaria de Justiça, disse que tentar lembrar da história escola de forma construtiva pode ajudar a diminuir o trauma do crime. "A cena do crime não pode ser mais forte do que a história de vida das vítimas", afirmou.

Suspeito de envolvimento no massacre é apreendido

A polícia apreendeu hoje um adolescente de 17 anos que teria envolvimento no plano do massacre. Ele foi levado para uma unidade da Fundação Casa.

Guilherme Taucci, 17, e Luiz Henrique de Castro, 25, mataram sete pessoas dentro da escola estadual Raul Brasil, em Suzano, no último dia 13. Antes, eles mataram o tio de Guilherme em uma locadora de carros, perto da escola. Segundo a polícia, após o massacre, Guilherme matou Luiz Henrique e se matou.