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Sobe para 7 o número de mortos em desabamento de prédios na Muzema, no Rio

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

13/04/2019 06h30Atualizada em 14/04/2019 05h03

A quantidade de mortos no desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, que ocorreu na manhã de ontem na zona oeste do Rio, subiu para sete na manhã de hoje. Segundo a SMS Rio (Secretaria Municipal de Saúde do Rio), o adolescente Hilton Guilherme Sodré de Souza, 12, morreu no Hospital Municipal Miguel Couto, para onde havia sido levado após ser resgatado na noite de ontem pelos bombeiros.

Ele morreu às 2h50 da madrugada deste sábado enquanto passava por uma cirurgia.

Durante a madrugada, os bombeiros resgataram os corpos de um homem e de uma mulher nos escombros. Não foram revelados os nomes e idades das vítimas.

Até as 9h10 de hoje, as autoridades haviam confirmado as mortes de:

  • Raimundo Nonato do Nascimento, 40
  • Cláudio José de Oliveira Rodrigues, que foi socorrido à Unidade Barra da Tijuca da Unimed em estado gravíssimo, com muitas lesões torácicas, mas não resistiu e morreu à tarde
  • Hilton Guilherme Sodré de Souza, 12
  • Dois garotos menores de idade não identificados
  • Uma mulher não identificada
  • Um homem não identificado

Garoto quebra perna, é resgatado, mas morre no hospital

Por volta das 23h de ontem, após 17 horas do desabamento, Hilton Guilherme Sodré de Souza, 12, foi resgatado com vida. Os bombeiros identificaram o adolescente soterrado, mas consciente, por volta das 18h e trabalharam durante cinco horas para retirá-lo do local onde estava preso.

Segundo os bombeiros, ele apresentava ferimentos, especialmente nas pernas, bastante atingidas por escombros, mas continuava consciente. O adolescente foi encaminhado para o Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de hoje.

Os pais de Hilton ainda estão desaparecidos.

Feridos

Os feridos foram socorridos a hospitais da cidade. Quatro deles já receberam alta, inclusive a filha de Cláudio, Clara Ramos Rodrigues, 10. A mulher dele, Adilma, 35, está em estado grave no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Um cachorrinho da família foi resgatado com vida.

Os feridos ainda internados estão distribuídos entre dois hospitais na cidade: o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca e o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon.

No boletim divulgado às 10, a Defesa Civil do Estado do Rio e o Corpo de Bombeiros informaram que trabalham com a possibilidade de que 17 pessoas ainda estão desparecidas, segundo informações coletadas na área do desabamento.

A moradora Carolina de Andrade Ferreira, 34, constava como socorrida ao Miguel Couto, no entanto, na lista atualizada pela pasta às 9h08 o nome dela não constava nem entre os pacientes, nem entre os que tiveram alta. O UOL questionou a SMS Rio e aguarda a informação. Ela morava no quinto andar de um dos prédios que desabou e segundo informações de moradores, chegou a reclamar com o "dono do prédio" sobre os vazamentos no teto do apartamento onde morava.

Receberam alta:

  • Clara Ramos Rodrigues, 10
  • Raimundo Nonato Ferreira Gomes, 41
  • Luciano Paulo dos Santos, 38
  • Uma mulher de 29 anos, não identificada

Levados para hospitais ainda não informados:

  • Pedro Lucas, 3, filho de Paloma;

Hospital Municipal Lourenço Jorge

  • Adilma Rodrigues, 35, passou por cirurgia e está no CTI em estado grave. É mãe de Clara e mulher de Cláudio.

Hospital Municipal Miguel Couto

  • Evaldo Vieira Silva, 46, foi atendido com dores no corpo, está estável e em observação;
  • Paloma Paes Leme Barroso, 44, passou cirurgia ortopédica e está estável;
  • Rafael, 4, filho de Paloma, passou cirurgia ortopédica e está estável;

Os bombeiros e agentes da Defesa Civil atuam desde ontem no local para resgatar vítimas. Hoje pela manhã as equipes contavam com mais de 100 militares, cães farejadores, drone, helicópteros, ambulâncias e viaturas de recolhimento de corpos.

Interdição

Dos dois prédios que desabaram, uma unidade tinha cinco andares, e a outra, três. Cada andar tinha quatro apartamentos.

A construção de dois prédios que compõem o condomínio onde ocorreu a tragédia não foi autorizada pelos órgãos fiscalizadores, segundo a prefeitura do Rio, que afirma que as obras chegaram a ser interditadas em 2018. O governo municipal diz que a região é controlada por milícias, o que dificulta a entrada de fiscais.

O secretário municipal de Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro, Sebastião Bruno, informou que três prédios nos arredores dos outros dois que desabaram foram interditados pelo risco de desabamento e serão demolidos.

Os moradores serão realocados por meio do programa da prefeitura chamado Aluguel Social. O secretário informou ainda que o prefeito do Rio, Marcello Crivella (PRB), está em contato com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) a fim de obter financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida para essas pessoas.

*Com informações da Agência Estado e de Camila Rodrigues daSilva

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