Topo

Rio tem previsão de chuva forte; temporal pode interromper buscas em Muzema

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

14/04/2019 09h09Atualizada em 14/04/2019 12h23

A cidade do Rio de Janeiro tem previsão de chuva forte para a tarde de hoje, e o clima pode vir a atrapalhar o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil do estado no terceiro dia de buscas por vítimas do desabamento de dois prédios na Muzema, comunidade localizada no bairro de Itanhangá, na zona oeste do Rio.

Segundo o Alerta Rio, o tempo ficará instável durante todo o domingo, com o aumento gradativo da nebulosidade culminando em pancadas de chuva moderada a forte à tarde, acompanhadas de raio e rajadas de vento.

Mais cedo, o Corpo de Bombeiros informou ao UOL que os trabalhos na Muzema continuam, mas que uma chuva muito forte pode sim fazer com que os trabalhos sejam interrompidos devido aos riscos de novos deslizamentos. Em nota divulgada ao meio-dia, a corporação afirmou que, "no momento, atua com o planejamento de ininterrupção das ações de socorro".

Quem mora em áreas com risco de deslizamento deve ficar atento ao plano de evacuação, alerta a Prefeitura do Rio de Janeiro. Alguns indicativos de risco podem ser:

  • aparecimento de fendas
  • depressões no terreno
  • rachaduras das paredes
  • inclinações de troncos de árvores e postes
  • surgimento de "minas d'água"

A intensidade das precipitações deve continuar moderada na segunda e terça-feira, segundo o Alerta Rio, e só diminuirá a partir de quarta-feira.

Desde 2011, a prefeitura conta com um sistema de alerta, que inclui sirenes para aviso das comunidades expostas a esses riscos. Quando os pluviômetros marcam determinado nível (que pode variar entre as regiões), o sinal sonoro é acionado e as pessoas precisam procurar por abrigos.

Na semana passada, no entanto, as sirenes não soaram no Morro da Babilônia, onde pessoas morreram por causa das fortes chuvas que atingiram a cidade.

Bombeiros fazem buscas

As equipes de resgate trabalham com a expectativa de que 15 pessoas ainda estejam sob os escombros dos prédios que desabaram. Ao todo, mais de cem bombeiros de diversos quartéis da cidade atuam no trabalho de buscas, com o apoio de cães farejadores, drone, helicópteros, ambulâncias e viaturas de recolhimento de corpos.

A última vítima encontrada foi uma criança, ainda não identificada, retirada sem vida dos escombros à noite, fazendo o número de mortos no desabamento subir para nove. Mais cedo, o corpo de uma mulher havia sido resgatado. A identidade das duas vítimas anda não foi divulgada.

Dez pessoas foram retiradas do local com vida até a manhã de hoje.

Três prédios vizinhos foram interditados

Ontem pela manhã, moradores dos prédios vizinhos foram autorizados a entrar nos imóveis para retirarem seus pertences. Segundo relatos de moradores, as pessoas tiveram cinco minutos para reunir o que consideravam mais importante e deixar o edifício. Outros três prédios do mesmo condomínio onde os dois edifícios irregulares desabaram foram interditados pela prefeitura.

Segundo o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), os dois prédios que desabaram também haviam sido interditados pelo executivo municipal, mas as determinações não foram respeitadas pelos responsáveis, e tanto as obras como a venda dos apartamentos continuaram acontecendo.

A Polícia Civil do Rio abriu uma investigação para apurar quem são os responsáveis pelo terreno no bairro da Muzema. Peritos também investigam quais os motivos para o desabamento. O caso está sob os cuidados da 16ª Delegacia Policial do Rio.

Prédios desabam no Rio e deixam mortos e feridos

UOL Notícias

Mais Cotidiano