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Polícia do RJ tem 1º trimestre mais letal dos últimos 16 anos

Policiais da Tropa de Choque da PM do Rio realizam operação na favela da Rocinha, na capital fluminense - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Policiais da Tropa de Choque da PM do Rio realizam operação na favela da Rocinha, na capital fluminense Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

18/04/2019 17h55

O estado do Rio de Janeiro registrou no primeiro trimestre desse ano ao menos 434 homicídios em decorrência de intervenção de agentes policiais, segundo balanço do ISP (Instituto de Segurança Pública), responsável por mapear as estatísticas oficiais.

Esse é o começo de ano com o maior número de mortos pela polícia desde 2003, quando os dados começaram a ser compilados pelo ISP.

Nos primeiros três meses do ano passado, o indicador havia apontado 368 ocorrências --recorde anterior considerando o período de janeiro a março.

Ou seja, passada a intervenção federal na segurança pública fluminense (os militares deixaram o RJ em 31 de dezembro de 2018), as forças policiais superaram a marca negativa em 18%.

Em todo o ano passado, 1.534 pessoas morreram em decorrência de ação policial --2018 foi o ano mais letal da série histórica do ISP. O estado já atingiu 28% dessa marca em apenas três meses nesse ano.

Já em relação à letalidade violenta, houve uma redução de 20% no acumulado trimestral. Em 2018, o Instituto de Segurança Pública havia verificado 1.866 ocorrências e, nesse ano, observou 338 casos a menos.

O indicador de letalidade violenta inclui, além dos homicídios resultantes de intervenção policial, os assassinatos, o latrocínio (roubo seguido de morte) e a lesão corporal seguida de morte.

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar informou que as operações são "pautadas por planejamento prévio e executadas dentro da lei" e que, nas ações realizadas em áreas conflagradas, a prioridade é "a prisão de criminosos e apreensão de drogas e armas".

"Muitas vezes, no entanto, os criminosos fazem a opção pelo enfrentamento, dando início ao confronto. Quando a operação policial resulta em mortes ou feridos, um Inquérito Policial Militar é aberto para apurar as circunstâncias do fato", informou a assessoria da corporação.

A PM fluminense também informou considerar que, em relação aos dados do ISP, "o mais importante é ressaltar a queda de 32% nos homicídios dolosos" --a variação diz respeito à comparação entre março de 2019 e o mesmo mês em 2018, e não ao acumulado trimestral.

Como o governador Wilson Witzel (PSC) extinguiu a pasta da Segurança Pública, a Polícia Militar é considerada uma secretaria de estado desde o início da gestão.

Cotidiano