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Polícia investiga gaze dentro de paciente e mais 10 erros em hospital do DF

Jessica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

16/07/2019 21h06

Relatos de humilhações, gazes esquecidas dentro de pacientes, reclamações de procedimentos médicos mal feitos e supostos erros de diagnósticos. Ao todo, 11 casos de negligência médica e violência obstétrica no Hospital Regional de Samambaia (DF) estão sob investigação da Polícia Civil.

São oito médicos investigados, sendo que quatro foram citados em mais de uma ocorrência. Em um dos relatos, segundo o delegado Guilherme Sousa Melo, um profissional quebrou a clavícula de um recém-nascido durante o parto. Apesar da lesão, a criança sobreviveu.

"Oito vítimas foram identificadas e ouvidas pela 26ª Delegacia de Polícia. Os casos estão sendo investigados desde setembro do ano passado", diz o delegado.

Ele relata uma investigação também envolvendo paciente que teve o útero perfurado após uma curetagem. "Após se consultar em uma clínica particular, a mulher foi aconselhada a retirar o útero, por conta dos danos causados pelo procedimento mal feito", diz o delegado da 26ª Delegacia de Polícia

Bebê não estava morto

Um dos casos investigados é o da Vanessa Araújo, 16. No fim de junho, aos seis meses de gravidez, ela procurou o hospital relatando fortes cólicas.

Segundo a jovem, a médica de plantão afirmou que o bebê estava morto - mas não fez nenhum exame de imagem para isso. O parto foi induzido e para a surpresa de todos a criança nasceu viva. Horas depois, sofreu uma parada cardíaca e morreu, diz a vítima.

"Queremos justiça. O Enzo Gabriel era nosso primeiro netinho. Preparamos tudo com muito amor. Compramos roupinhas, sapatos, fraldas. Era muito esperado mesmo", diz a mãe de Vanessa, a recepcionista Geovania Silva.

"A médica errou no diagnóstico. Nem se preocupou em fazer um exame de ultrassom", afirma.

Hospital diz que apura os fatos

Em nota, a direção do Hospital Regional de Samambaia informou que recebeu denúncias envolvendo servidores da unidade. Todas as providências, segundo a instituição, estão sendo tomadas pela direção e pela Superintendência da Região de Saúde Sudoeste.

"Um processo sigiloso foi aberto no âmbito da Secretaria de Saúde que não irá se manifestar até a apuração de todos os fatos", disse um trecho da nota.

Segundo o delegado, caso os laudos confirmem que os bebês morreram por negligência médica, os responsáveis podem responder por homicídio culposo - quando não há a intenção de matar e omissão de socorro. A identidade dos suspeitos não foi revelada pela Polícia Civil.

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