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MPF e PF apuram morte de cacique e invasão de garimpeiros em aldeia no AP

Etnia waiãpi, no Amapá - Apu Gomes/AFP
Etnia waiãpi, no Amapá Imagem: Apu Gomes/AFP

Talita Marchao*

Do UOL, em São Paulo

28/07/2019 16h24

O Ministério Público Federal iniciou ontem as investigações criminais para apurar as circunstâncias da morte de um indígena e a invasão de um grupo de cerca de 15 garimpeiros na terra indígena Wajãpi, no Amapá. A Polícia Federal também abriu um inquérito para investigar a invasão, ocorrida há menos de uma semana, e o assassinato do indígena.

"Acerca das denúncias de invasão da TI Waiãpi por garimpeiros, o órgão solicitou informações à PF sobre as providências adotadas até o momento. Esclarecimentos também serão requeridos aos órgãos competentes", afirma a nota do MPF. O órgão afirma estar em contato com a Polícia Federal e com servidores da Funai que estão na área da aldeia para evitar o agravamento do conflito.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) disse neste domingo que, após a chegada de seus funcionários ao local, considerado de difícil acesso, e policiais federais e do BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Amapá), foi aberto inquérito pela PF para apuração da morte de um cacique na semana passada. "Por ora, não há registros de conflito", diz a nota.

Em vídeo divulgado ontem nas redes sociais pela prefeita de Pedra Branca do Amapari, Beth Pelaes (MDB), o coordenador indígena do município Kurani Waiãpi relata que, segundo os Waiãpi, ao menos 50 garimpeiros fortemente armados estavam acampados já há alguns dias próximo à aldeia Mariry, no interior da terra indígena.

A prefeita diz que os policiais federais estão no local negociando a retirada dos garimpeiros invasores.

O Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina afirma que o cacique Emyra Waiãpi foi morto de forma violenta na última segunda-feira (22) na aldeia Waseity. No entanto, a morte do líder não foi testemunhada por nenhum índio da etnia e só foi percebida na manhã de terça (23).

De acordo com a entidade, na sexta-feira (26), moradores da aldeia Yvytotô se depararam com um grupo de índios não armados e avisaram as demais aldeias pelo rádio. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os índios, que fugiram para outras aldeias da região.

A demarcação da Terra Indígena Waiãpi foi homologada em 1996, por meio de um decreto presidencial assinado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. A terra mede pouco mais de 607 mil hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas oficiais de um campo de futebol oficial), espalhados pelo território de três municípios: Laranjal do Jari, Mazagão, Pedra Branca do Amapari.

*Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

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