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Relator do Ficha Limpa e candidato a vice de Serra: quem é Indio da Costa?

19.set.2018 - Indio da Costa, durante debate Folha/SBT/UOL - Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress
19.set.2018 - Indio da Costa, durante debate Folha/SBT/UOL Imagem: Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

06/09/2019 15h14

A projeção nacional do ex-deputado federal Indio da Costa (ex-PSD, atualmente sem partido), preso hoje em operação da PF (Polícia Federal) que investiga supostas fraudes nos Correios, ocorreu em 2008.

Então deputado federal pelo DEM, ele foi um dos relatores do projeto da Ficha Limpa, que, posteriormente, se tornou lei de mesmo nome, com o objetivo de impedir que candidatos condenados por órgãos colegiados participem de eleições para cargos políticos. Indio foi relator de uma das propostas da lei na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). No entanto, a versão do texto que relatou foi arquivada. A versão final da Lei da Ficha Limpa foi aprovada sob relatoria do então deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).

Em 2010, ele foi escolhido para a chapa de José Serra (PSDB) como candidato a vice-presidente. Foram derrotados por Dilma Rousseff (PT).

Ele também foi candidato a prefeito do Rio e a governador do estado em 2016 e em 2018, respectivamente.

Na política local, chegou a assumir cargos em secretarias municipais e estaduais de gestões variadas. Foi secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do atual prefeito, Marcelo Crivella (PRB), entre 2017 e 2018.

Também foi secretário municipal de Esportes na gestão de Eduardo Paes (à época MDB) e secretário estadual do Ambiente na gestão do ex-governador Sergio Cabral (MDB), atualmente preso em decorrência de condenações da Operação Lava Jato.

Afilhado de Cesar Maia

Seu padrinho político foi o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que o contratou como assessor de gabinete em 1993, ano no qual Costa ingressou na vida pública. Ele retornaria à gestão do cacique político fluminense na segunda gestão de Maia, desta vez para assumir a pasta da Secretaria Municipal de Administração, cargo em que ficou durante dois períodos: entre 2001 e 2004 e entre 2005 e 2006.

Nesse período, foi responsável por um processo de licitação de merenda escolar considerado fraudulento, o que resultou na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara do Rio. Presidida pela vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), a comissão pediu o indiciamento de Indio por suposto envolvimento com as irregularidades.

O relatório foi enviado para o Ministério Público Estadual e Federal, ao Tribunal de Contas do Município e à Delegacia de Polícia Fazendária, mas acabou arquivado por falta de provas, em 2008.

O ex-deputado federal elegeu-se pela primeira vez em 1996 ao cargo de vereador do Rio, pelo então PFL (a sigla mudou o nome para DEM posteriormente), cargo que voltaria a ocupar em 2000 (desta vez pelo PTB).

Já a primeira eleição como deputado federal ocorreu em 2006. Foi reeleito em 2014, mas se licenciou do mandato para concorrer ao governo do Rio no ano passado.

A reportagem do UOL não localizou a defesa de Indio da Costa para que ele se manifeste sobre a prisão. O espaço continua aberto para manifestações.

Cotidiano