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Porteiro que cita Bolsonaro está afastado do trabalho e acuado, diz revista

Reportagem da revista Veja identifica o porteiro que citou Bolsonaro como Alberto Jorge Ferreira Mateus - Reprodução/Veja
Reportagem da revista Veja identifica o porteiro que citou Bolsonaro como Alberto Jorge Ferreira Mateus Imagem: Reprodução/Veja

Do UOL, em São Paulo

08/11/2019 09h07

Resumo da notícia

  • Segundo a Veja, Alberto Jorge Ferreira Mateus é o porteiro que deu depoimento citando Jair Bolsonaro no caso Marielle
  • Alberto foi quem disse em depoimento que "seu Jair" havia liberado a entrada de Élcio de Queiroz, um dos suspeitos do crime
  • MP contradiz depoimento do porteiro e diz que entrada foi liberada por Ronnie Lessa, outro acusado pelo assassinato
  • De acordo com a revista, o porteiro foi afastado dos trabalhos no condomínio em que vivia Bolsonaro até o caso esfriar
  • Familiares de Alberto dizem que ele vive como um "animal enjaulado" desde a divulgação do fato

Reportagem da revista Veja publicada hoje identificou o porteiro que citou o presidente Jair Bolsonaro nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a publicação, que ouviu pessoas próximas a ele, Alberto Jorge Ferreira Mateus está "feito um animal acuado" e afastado do trabalho.

O porteiro do condomínio Vivendas da Barra disse em depoimento que "seu Jair" liberou a entrada de Élcio de Queiroz, um dos suspeitos dos homicídios no dia do crime. No entanto, Bolsonaro, à época deputado, estava na Câmara dos Deputados naquele dia.

O Ministério Público contradisse o funcionário e disse que o responsável por liberar a entrada de Élcio foi o policial reformado Ronnie Lessa, que mora no local e também é suspeito de participar do crime.

Procurado por Veja na última segunda-feira (4), Mateus se recusou a falar. "Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada".

Segundo a publicação, ele estava de férias quando prestou os depoimentos, nos dias 7 e 9 de outubro e já deveria ter retornado ao trabalho. No entanto, diante da repercussão do caso, o condomínio decidiu por prorrogar sua licença e mantê-lo afastado do local ao menos por enquanto.

Pessoas próximas a ele ouvidas pela revista descreveram Mateus como um homem discreto, que frequenta a igreja e trabalha no condomínio há 13 anos. É casado e tem dois filhos.

Um cunhado disse que ele não comenta nada sobre o caso. "Não sei se alguém importante mandou ele não falar. Quando alguma pessoa chega perto e toca no assunto, ele foge". Segundo familiares, está "feito um animal acuado" e "com muito medo de perder o emprego e até morrer".

Outro porteiro teria atendido Queiroz

O vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, morador do condomínio, mostrou nas redes sociais um áudio, que segundo ele, foi registrado às 17h13 para a casa 65, onde vivia Ronnie Lessa. No arquivo, o porteiro anuncia a chegada do "senhor Élcio" e recebe como resposta "tá, pode liberar aí". Não é possível identificar quem responde.

Segundo Veja, quem atendeu Queiroz foi o porteiro Tiago Izaias. A reportagem informa que reproduziu o áudio divulgado por Carlos e ele confirmou se tratar de sua voz. Ele disse não se recordar quem era o outro porteiro que trabalhava com ele naquele dia.

Izaias disse que tentou falar com Mateus para obter "a informação verdadeira" sobre o caso, mas não recebeu resposta. "Todos aqui no condomínio ficaram surpresos por ele ter ligado o presidente a um crime gravíssimo. Pode ser que estejam usando o Alberto para denegrir a imagem de Bolsonaro", disse.

Cotidiano