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Suspeito, Adriano diz que não se lembra onde estava quando Marielle morreu

Ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime - Reprodução/Polícia Civil
Ex-PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime Imagem: Reprodução/Polícia Civil

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

06/11/2019 04h02

Resumo da notícia

  • Chefe do Escritório do Crime prestou depoimento após morte de Marielle
  • Adriano disse "não se recordar ao certo" onde estava na noite do crime
  • Ex-PM está foragido desde o dia 23 de janeiro deste ano, no Rio

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como o chefe do Escritório do Crime, afirmou em depoimento à Polícia Civil do Rio "não se recordar ao certo" onde estava na noite de 14 de março de 2018, quando aconteceu o duplo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

"Que perguntado se o declarante se recorda de onde estava em 14 de março do corrente ano [2018], que respondeu não se recordar ao certo, mais [sic] provavelmente que na parte da noite e aos dias de semana, sempre está em sua casa ou em seu sítio, visto que costuma acordar bem cedo", diz a transcrição do depoimento prestado no dia 20 de agosto de 2018 ao delegado Giniton Lages, então titular da DH da Capital (Delegacia de Homicídios do Rio).

Conhecido como "Capitão Adriano", o ex-PM está foragido desde o último dia 23 de janeiro, quando a Justiça do Rio determinou sua prisão no âmbito da Operação Intocáveis.

De acordo com a denúncia do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro), ele é chefe da milícia que age nas comunidades de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste do Rio, e líder de um grupo de matadores de aluguel batizado pela Polícia Civil do Rio como Escritório do Crime.

Capitão Adriano e outros membros da quadrilha são suspeitos de participação no atentado contra Marielle e Anderson.

Os advogados do ex-policial negam que ele seja chefe da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime.

Durante o depoimento, ele foi questionado se conhecia o PM da reserva Ronnie Lessa, preso e acusado de efetuar os disparos contra a vereadora e o motorista. "Conheço da Polícia Militar", respondeu sem entrar em detalhes.

Ele deu a mesma resposta a respeito do major Ronald Paulo Alves Pereira, que seria seu aliado na milícia de Rio das Pedras. Gravações colhidas pela investigação citam Ronald como possível participante do crime.

Adriano negou que conhecesse os criminosos Edmilson Gomes Menezes, o Macaquinho, e Leonardo Gouveia da Silva, o Mad. Os dois foram apontados como assassinos de Marielle por Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, em conversa telefônica com o vereador Marcello Sicilliano (PHS).

O diálogo foi encontrado no celular do parlamentar pela Polícia Federal.

Essas perguntas específicas da Polícia Civil indicam que Mad e Macaquinho já eram investigados no Caso Marielle antes da conversa telefônica entre Beto Bomba e Sicilliano, que ocorreu em fevereiro de 2019. Adriano depôs ainda em 2018, ano do crime.

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Homenageado por Flávio Bolsonaro

O miliciano Capitão Adriano entrou para a PM fluminense no ano de 1996. Quatro anos depois, concluiu o curso de operações especiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar).

Na corporação, fez amizade com Fabrício de Queiroz, que trabalhou como assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), quando este foi deputado estadual.

Anos depois, Queiroz indicou a mãe e a mulher de Adriano para trabalhar no gabinete do filho mais velho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Adriano chegou a ser homenageado por Flávio com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio. Era o ano de 2005, e o miliciano estava preso sob acusação de homicídio.

Nessa mesma época, o ex-PM começou a atuar como segurança para familiares do falecido bicheiro Valdomiro Paes Garcia, o Maninho.

No serviço irregular, que resultou em sua expulsão da PM decidida pela Justiça do Rio no ano de 2014, Capitão Adriano cometeu pelo menos oito homicídios a mando dos patrões.

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