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Família é morta a tiros em Porto Alegre após discussão de trânsito

Rafael Zanetti Silva, (d), a esposa dele, Fabiana, e o filho do casal, Gabriel, que morreram após uma discussão de trânsito em Porto Alegre - Arquivo pessoal
Rafael Zanetti Silva, (d), a esposa dele, Fabiana, e o filho do casal, Gabriel, que morreram após uma discussão de trânsito em Porto Alegre Imagem: Arquivo pessoal

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

27/01/2020 11h59Atualizada em 27/01/2020 15h47

Resumo da notícia

  • Casal e filho foram mortos após discussão na zona sul
  • Caso está sendo tratado como triplo homicídio duplamente qualificado
  • No carro, havia outras duas pessoas - o outro filho do casal, de oito anos, e uma mulher de 18 anos
  • Suspeito não foi localizado e o nome dele não foi divulgado

Uma família foi morta a tiros após uma discussão de trânsito na zona sul de Porto Alegre, na tarde de ontem. As vítimas são Rafael Zanetti Silva, 46, a esposa dele, Fabiana da Silveira Innocente Silva, 44, e o filho do casal, Gabriel da Silveira Innocente Silva, 20. O caso está sendo tratado como triplo homicídio duplamente qualificado - por motivo fútil e uso de recurso que impossibilitou a defesa.

Segundo o delegado Eibert Neto, as vítimas estavam em um Aircross que raspou na lataria de um Ecosport. "Eles abandonaram o local e o autor do fato viu a situação e acabou os abordando", disse o delegado. O carro da família foi interceptado na Estrada do Varejão, no bairro Lami. Testemunhas relataram à polícia que o suspeito do crime desceu do Ecosport "exaltado" e passou a discutir com os três, que já estavam fora do carro.

De acordo com a polícia, Zanetti chegou a oferecer seus serviços como mecânico para arrumar o estrago, mas o motorista do outro carro puxou uma pistola 9 milímetros e apontou para a família. Eles ainda teriam tentado ligar para o 190 e relatar a situação. Mas o suspeito disparou seis vezes, atingindo todos da família na cabeça. Zanetti e a esposa morreram na hora. Já o filho chegou a ser levado para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu aos ferimentos e também faleceu.

No Aircross havia outras duas pessoas - o outro filho do casal, de oito anos, e uma mulher de 18 anos, nora do casal assassinado. Eles não se feriram.

Segundo o delegado, o motorista já foi identificado e não tinha autorização para utilizar a arma. A polícia pediu a prisão preventiva dele, mas a Justiça decretou a prisão temporária. Por enquanto, ele ainda não foi localizado. O nome dele não está sendo divulgado devido à Lei de Abuso de Autoridade. Outras informações como profissão ou idade também não foram repassadas à reportagem pois, de acordo com o delegado, poderiam identificar o suspeito.

"É um fato chocante. Um fato normal que se desdobrou de forma anormal. Esses incidentes acontecem no dia a dia, mas dificilmente terminam assim", avaliou o delegado.

O velório, nesta madrugada, e o sepultamento dos corpos, amanhã de manhã, ocorrerão no Cemitério Jardim da Paz, na zona leste de Porto Alegre. Os corpos já foram liberados pelo Departamento Médico Legal (DML) e estão com a funerária.

"Destruiu uma família", diz padrinho de uma das vítimas

A família voltava para casa após participar de um aniversário em um sítio, a 9 km de distância do local do crime. "Eles saíram da festa felizes, tinham comido churrasco, tomado banho de piscina. Uma família que se acabou. Ele destruiu uma família", afirmou Marcio Becker, padrinho de Gabriel e pai da aniversariante, que estava completando 18 anos.

Zanetti havia saído mais cedo da comemoração para deixar a família em casa e mostrar um carro para um cliente. No meio do caminho, ocorreu a discussão.

No sítio, o sinal de celular não funciona direito e os participantes só ficaram sabendo do ocorrido quando um amigo, que saiu logo após a família, passou pelo local do crime e se deparou com o casal morto, voltando em seguida para o sítio. "Ele ficou sem reação. Pegou o pequeno de três anos e trouxe para cá. Acabou a festa, acabou tudo", disse Becker.

Ainda não se sabe com quem o menino ficará. A criança tem avós por parte de mãe em Bagé, na campanha gaúcha, e tios paternos em São Paulo. "Ele presenciou tudo, sabe de tudo que aconteceu. Mas acha que o irmão está vivo. Hoje ele acordou, viu todo mundo com os olhinhos apavorados", afirmou o familiar.

Cotidiano