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Porta dos Fundos: acusado de atacar sede tem pedido de habeas corpus negado

Eduardo Fauzi - Portal dos Procurados
Eduardo Fauzi Imagem: Portal dos Procurados

Do UOL, em São Paulo

29/01/2020 18h00

O empresário Eduardo Fauzi Richard Cerquise, acusado de participação ao ataque à sede da produtora Porta dos Fundos, ocorrido em 24 de dezembro de 2019, no Rio de Janeiro, teve o pedido de habeas corpus negado hoje pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), que manteve a prisão temporária do suspeito.

O desembargador José Muiños Piñeiro Filho considerou em sua decisão que a forma do ataque demonstrou o perigo do acusado — que está na Rússia desde o dia 31 de dezembro—, implicando em risco a segurança de várias pessoas caso fosse concedido o direito à liberdade a Fauzi.

"Com isso, tenho que pela maneira com que foi executado o delito, no ponto, todos os agentes que o cometeram fizeram exsurgir suas extremadas periculosidades e livrando-se soltos isso implicará, objetivamente, na insegurança de várias pessoas", escreveu Piñeiro Filho.

O desembargador, em sua decisão, apontou que o acusado não pode ser considerado fugitivo, já que a prisão temporária foi decretada quando estaria no exterior. Porém, Piñeiro Filho afirma que a viagem de Fauzi para Rússia poucos dias após o crime pelo qual é acusado é de "altíssima gravidade e de acentuada periculosidade" por todos que participaram do ataque à sede da produtora.

De acordo com a Polícia Civil, ao menos quatro homens participaram da ação, em que foram lançados coquetéis molotov contra o prédio. As chamas foram contidas por um funcionário do grupo. Os criminosos usaram dois veículos — um carro e uma moto — e estavam encapuzados no momento do ataque. Apenas Fauzi estava com o rosto descoberto.

"A Primeira Tentação de Cristo", que estreou em dezembro na plataforma de streaming Netflix, Jesus, vivido pelo comediante Gregório Duvivier, é retratado como um homem gay. A sátira provocou reações de políticos, ativistas e movimentos conservadores e ligados a igrejas.

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Fauzi diz a site que não teme ser preso

No início de janeiro, Fauzi deu a primeira entrevista desde que fugiu para a Rússia ao site Projeto Colabora. Ele afirmou que não tem medo de ser preso. "Evidentemente, cadeia é uma experiência complexa e que tem potenciais desdobramentos terríveis, mas eu não me assusto com a ideia. Eu já fui preso antes e pude extrair algum aprendizado do evento", afirmou.

Fauzi afirmou que tem uma namorada na Rússia com quem tem um filho e que pretende pedir asilo no país. O suspeito contou que recebeu informações sobre seu pedido de prisão e fugiu antes de ser pego pela polícia. "Fui conectado o suficiente para ser avisado do mandado a tempo de viajar pra fora do país", disse.

Além do ataque à produtora, Fauzi possui uma longa ficha criminal que inclui crimes como ameaça, lesão corporal, desacato, extorsão e Lei Maria da Penha. Mesmo assim, garante que não é criminoso e sim "combativo" e que todas as investigações contra ele são de situações onde ele foi vítima da violência policial.

"A minha única condenação é pelo episódio da agressão contra o então secretário de Ordem Pública, Alex Costa. Fora este, eu não tenho nenhum outro processo criminal contra mim. Nenhum. Nada. Zero", diz.

Ao fim da entrevista, Fauzi criticou a Frente Integralista Brasileira (FIB), movimento considerado de extrema-direita, no qual ele militou por 10 anos.

"Eu acho mesmo que [os membros da FIB] usarem o epíteto de soldados de Deus para si, quando não são soldados e não lutam contra nada de opressor, é cruel, é pecado e equivale a usar o Seu Santo nome em vão", encerra.

Cotidiano