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Covid-19: igreja faz 'drive-thru' para fiéis se confessarem em Brasília

Padre Rafael Souza dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, ouve a confissão dos fiéis em esquema de "drive-thru" - Divulgação
Padre Rafael Souza dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, ouve a confissão dos fiéis em esquema de 'drive-thru' Imagem: Divulgação

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

23/03/2020 17h26

Uma igreja localizada na Asa Norte, centro de Brasília, está oferecendo confissões por "drive-thru" aos fiéis, isto é, dentro dos carros. A medida veio após o decreto do governo do Distrito Federal que proíbe eventos abertos como cultos e missas por causa do novo coronavírus.

As confissões dentro dos carros começaram no último sábado (21), em frente à Paróquia Nossa Senhora da Saúde, que fica localizada na 702 norte. Segundo o padre, a novidade teve uma adesão muito boa. Em apenas duas horas, mais de 40 carros passaram pelo local.

O veículo estaciona e o motorista faz a confissão. O padre fica afastado ao lado de uma mesa, com álcool em gel à disposição.

"Às vezes dentro do carro, por exemplo, tinha o casal e filhos. Um descia do veículo e dava lugar aos outros", disse o padre Rafael Souza dos Santos, de 34 anos. As confissões pelo drive thru acontecerão de terça a sábado, das 16h30 às 18h30.

Segundo o padre, a ideia nasceu da necessidade de confortar o espírito dos fiéis, principalmente durante a pandemia. Para isso ser possível, o pároco ressaltou que foi necessário usar a criatividade para não ferir nenhuma orientação das autoridades públicas.

"Respeitamos a distância, pois (os fiéis) ficam a mais de três metros de distância. Os outros carros também ficam longe, assim se resguarda o sigilo da confissão. Nossa ideia é celebrar esse sacramento, sabe?", disse o padre.

"É bem verdade que têm aparecido pessoas tristes, umas achando que Deus as abandonou. Porém, confortamos os fiéis que têm nos procurado. Temos visto muitas reportagens falando sobre o risco de depressão por causa do isolamento social. Tenho muito medo de que, quando terminar essa crise, tenhamos pessoas vazias", afirmou.

"Vamos continuar nosso trabalho. Muitos fiéis manifestam gratidão e emoção com essa nova medida. Para nós católicos, o sacramento da confissão perdoa todos os pecados. Consequentemente, o espírito fica em paz e preparado para suportar o que estamos passando ou o que ainda há de vir."

Celso Luiz de Souza Lacerda, 54, foi um dos fiéis da paróquia que usaram a novidade para se confessar. Ele foi o quinto da fila, no último sábado. Segundo ele, tudo foi feito com muita segurança. A distância, de 2 m, foi suficiente para que o religioso pudesse falar e ser ouvido.

"Adorei poder confessar! Pensei que não conseguiria, depois dos decretos impedindo reuniões e as missas. Ainda mais, porque estamos vivendo a Quaresma, que é um tempo de reclusão, oração, jejum e esmola. Realmente estamos vivendo um deserto. Quando o padre teve essa ideia, rapidamente me preparei e fiquei em condições de confessar e me reconciliar com Deus", disse o aposentado.

Templos seguem abertos

Em nota, a Arquidiocese de Brasília informou que devido ao decreto, os católicos ficam dispensados do compromisso de participar de missas. Mas orienta que os fiéis participem de celebrações nas redes sociais durante a semana e especialmente aos domingos.

"O decreto do GDF não implica no fechamento de templos. Por isso, as igrejas católicas continuam abertas para orações dos fiéis, evitando sempre aglomerações. Em tempo de crise, as pessoas têm necessidade ainda maior de assistência espiritual. Os sacerdotes estejam disponíveis para o atendimento pessoal dos fiéis, tomando as medidas de prevenção que têm sido divulgadas para preservar a própria saúde e daqueles que procuram a igreja", disse um trecho da nota.

O decreto que proíbe o funcionamento de comércios começou a valer na noite de quinta-feira (19) e segue até 5 de abril.

A proibição inclui shoppings, restaurantes, bares, lojas e salões de beleza.

De acordo com o DF Legal, comércios abertos devem ser interditados, além de autuados com multa em caso de reincidência. O valor é de R$ 3.500 a R$ 12 mil por dia. Nos últimos três dias, cerca de 3,5 mil locais foram fechados.

Ao UOL, a Secretaria DF Legal informou que o Decreto 40.539 permite que igrejas fiquem abertas, mas sem cultos/missas nem aglomeração. "Não cabe à pasta disciplinar a rotina dos rituais das igrejas", disse a pasta.

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