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Coronavírus: Prefeitura suspende ônibus, e PMs da Grande SP pedem carona

Sem ônibus, policiais militares de Atibaia (SP) pedem carona na estrada para chegar ao trabalho em batalhões da capital - Reprodução
Sem ônibus, policiais militares de Atibaia (SP) pedem carona na estrada para chegar ao trabalho em batalhões da capital Imagem: Reprodução

Aiuri Rebello e Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

25/03/2020 14h32Atualizada em 25/03/2020 22h22

Policiais militares que moram em cidades da região metropolitana de São Paulo enfrentam dificuldades para se deslocar ao local de trabalho na capital devido à falta de transporte público.

Prefeituras decidiram diminuir ou até interromper o fluxo dos ônibus intermunicipais, por causa pandemia do coronavírus, e alguns agentes precisam recorrer à carona nas estradas.

"Ficou todo mundo na mão sem ter como ir", afirmou, sob sigilo, um PM que mora em Atibaia (SP). Ele integra um grupo formado por dezenas de policiais militares que moram na cidade, mas atuam em quartéis da capital paulista.

Desde segunda-feira (23), a prefeitura fechou o acesso à cidade e a única viação que fazia a linha com São Paulo parou de operar.

Sem alternativa, os policiais militares que não tinham carro foram até a margem da rodovia Fernão Dias e começaram a pedir carona, como mostra uma fotografia obtida pelo UOL.

Procurada pelo UOL, a prefeitura de Atibaia enviou nota, após a publicação desta reportagem, na qual afirma que alterou o decreto municipal. Agora, os policiais e profissionais da área de saúde terão acesso ao transporte intermunicipal nos seguintes horários:

  • Ônibus que sai de Atibaia para São Paulo às 5h e às 17h;
  • Ônibus que sai de São Paulo para Atibaia às 8h e às 20h.

"Com a quarentena, havia pouco trânsito na rodovia e demora para todo mundo conseguir embarcar", afirmou o PM. "Ainda bem que as pessoas são solidárias e estão ajudando."

Procurado pela reportagem, a assessoria de imprensa do governador João Doria (PSDB) afirmou que será publicado decreto que determina que todos policiais e bombeiros de São Paulo terão acesso gratuito ao transporte público em todo estado, sem limitação de número de passageiros. Os policiais militares deverão estar devidamente fardados.

Anunciada na segunda, a medida vale enquanto durar o decreto de calamidade pública por causa da pandemia do novo coronavírus.

Uma preocupação adicional são os profissionais da saúde que vivem em Atibaia e trabalham em hospitais em São Paulo. "Tenho um grupo aqui de pelo menos umas 12 pessoas que trabalham em hospitais do centro que não têm como ir", diz uma enfermeira de 44 anos.

Morar longe do trabalho

Ligado à categoria, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) afirma que cerca de 40% dos policiais militares de São Paulo moram em cidades diferentes das que patrulham.

"Agora com essa situação da pandemia do coronavírus, tem policial militar saindo de casa até quatro horas antes do seu horário normal para poder chegar ao seu quartel", afirma o deputado. "Isso gera um desgaste adicional para alguém que já enfrenta, de maneira cotidiana, situações de estresse no trabalho."

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que reúne as prefeituras das setes cidades do ABC, reviu a decisão de suspender temporariamente o transporte de ônibus municipais e anunciou ontem que ira manter uma frota mínima circulando.

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