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Coronavírus

Conteúdo publicado há
10 meses

Técnica de enfermagem de hospital referência morre com sintomas de covid-19

Anita de Sousa Viana morre no Rio de Janeiro com sintomas do coronavírus - Reprodução/Facebook
Anita de Sousa Viana morre no Rio de Janeiro com sintomas do coronavírus Imagem: Reprodução/Facebook

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

17/04/2020 14h32

A técnica de enfermagem Anita de Sousa Viana morreu na tarde de ontem com sintomas do novo coronavírus. Ela trabalhava na linha de frente no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência para o tratamento de pacientes com covid-19, na zona norte da cidade.

De acordo com amigos, apesar de trabalhar na unidade de saúde, a profissional não conseguiu realizar o exame que detecta a doença no hospital devido à ausência de kits de testes. A funcionária também não conseguiu um leito para internação no local.

Segundo a amiga Aline Fernandes, Anita amava a profissão, era uma funcionária dedicada e convivia já com dores na coluna que adquiriu por causa do trabalho.

"Ela vivia com a coluna ruim de tanto pegar peso no trabalho, por conta dos banhos que dava nos pacientes nos leitos, mas sempre amou a profissão. Ela é uma pessoa gentil, pronta para ajudar o mundo, uma boa mãe, uma boa esposa e dona de um coração incrível", afirmou.

Anita deixou três filhos e o marido. De acordo com um levantamento feito pelo Coren (Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro), até o momento, 548 profissionais da enfermagem tiveram sintomas suspeitos de covid-19, 31 foram testados e 19 tiveram o diagnóstico da doença confirmado. O órgão acompanha o avanço de covid-19 em profissionais que integram a enfermagem.

Procurada pelo UOL, a Secretaria Municipal de Saúde disse que se solidariza com a família e destacou que trabalha para ampliar os testes para detectar a presença do coronavírus ou de anticorpos contra ele entre os seus profissionais de saúde.

"No Ronaldo Gazolla, cerca de 300 profissionais foram testados em uma campanha organizada por empresários, que doaram 5 mil testes para a rede municipal", informou a pasta através de nota.

Questionada sobre a ausência de vaga para Anita ou outros funcionários que trabalham no hospital para que possam ser internados no local, a secretaria informou que "a transferência para ocupar um leito no hospital de referência obedece a critérios clínicos definidos pela central unificada de regulação".

Já segundo a Secretaria de Estado de Saúde, Anita deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Bangu, na zona oeste, no domingo (12), lúcida, mas com relato de tosse há mais de cinco dias e falta de ar. "Na UPA, ela foi medicada e fez exames complementares a pedido do clínico geral, contudo seu quadro de saúde piorou, o que levou a paciente a ser encaminhada para a sala vermelha".Para estabilizar a paciente, Anita foi colocada em ventilação mecânica até sua transferência no dia seguinte para o Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, mas ela não resistiu e morreu ontem à tarde.

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