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Ruralistas bolsonaristas anti-isolamento servem mil porções de feijoada

Festa, música, álcool em gel e algumas máscaras em Brasília - Eduardo Militão/UOL
Festa, música, álcool em gel e algumas máscaras em Brasília Imagem: Eduardo Militão/UOL

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

24/05/2020 20h31

Já passava das 16h deste domingo (24). Uma senhora de cabelos brancos e muito remelexo na cintura e nos quadris dançava à vontade em frente ao Ministério da Agricultura, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, após um ato em favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Enquanto um homem canta "Anna Júlia", sucesso da banda Los Hermanos, a idosa de camiseta branca como seus cabelos grita:

"Eu peguei covid! Eu estou imune! Eu estou feliz! Eu fui curada. Eu segui o protocolo do presidente Bolsonaro! Eu fui curada! Tomei vitamina C!".

De camiseta preta com a foto do presidente da República, a policial militar Glauce Franco ri da cena. Ela não está de serviço hoje. E volta a conversar com a reportagem do UOL, assim como a produtora rural Meire Cruvinel.

As duas fazem parte da organização do grupo "Movimentação", que reúne agricultores defensores de Jair Bolsonaro.

Uma tenda está montada há um mês na frente do ministério e eles pretendem ficar no local até 1º de julho para defender o presidente, investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de interferir na Polícia Federal. Aglomerados, tentam acabar com o isolamento social para combater o coronavírus.

"O agronegócio está fechado 100% com Bolsonaro", repete Meire. O grupo passa todos os dias no local. "Igual cantiga de grilo."

Desde a semana passada, o grupo passou a servir refeições. Na semana passada, foram mil pratos com costela. Hoje, mais mil de feijoada, servida com arroz, farofa, couve e laranja. Meire conta que, no domingo que vem, mais mil pessoas vão almoçar no local. O cardápio de será de costela de boi e arroz de carreteiro.

Pouco antes da conversa com o UOL, um ônibus do Espírito Santo deixou o local para levar os apoiadores do presidente de volta ao hotel. Há gente de Mato Grosso, de Goiás e do triângulo mineiro participando da manifestação, que continua durante os dias da semana. Nem todos usam máscaras. Mas Meire disse que havia álcool em gel à disposição.

Meire produz mandioca em Ceilândia e Planaltina, no Distrito Federal. Também tem lavouras em Águas Lindas e Corumbá, em Goiás. Um dos militantes, que mora no Mato Grosso, dorme dentro de uma van ao lado da tenda todos os dias, para guardar a estrutura montada.

Hoje à tarde, um carro da PM com dois homens estava próximo da tenda.

Segundo Meire, a carreata de hoje tinha 4 mil carros em Brasília. Depois, eles foram à aglomeração em frente ao Palácio do Planalto saudar Bolsonaro.

O "Movimentação" tem a missão de defender o presidente acima de tudo. "É apoio incondicional ao presidente Bolsonaro", explica Meire. Na entrada, há faixas com críticas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao "comunismo".

Na tenda, também há regras. O movimento é pacífico e armas são proibidas. Eles dizem que respeitam o trabalho da imprensa "responsável". Uma mulher de camisa preta exibia uma imagem do símbolo da TV Globo com a frase "lixo".

Depois de dançar uma música do grupo Los Hermanos, a senhora de camisa branca partiu para a os ritmos da banda Calypso, do Pará. Mais tarde, ouvia um homem cantarolar "Música urbana", do Capital Inicial, na cidade natal da banda de Dinho Ouro Preto.

Cotidiano