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Corpo de idosa morta por covid-19 é trocado e enterrado como sendo de homem

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

28/05/2020 12h40Atualizada em 28/05/2020 14h30

O corpo de uma idosa de 80 anos, que morreu com covid-19 no hospital municipal Pedro 1º, em Campina Grande (PB), foi trocado no necrotério da unidade hospitalar e enterrado no lugar de um homem, de 54 anos, no município de Gado Bravo (PB), no Agreste do estado. A troca dos corpos foi descoberta na terça-feira (26) quando a família de Rita de Alcântara, 80, se dirigiu para fazer o reconhecimento do corpo e encontrou o de um homem no lugar.

O caso foi registrado na polícia na manhã de ontem. A família de Rita registrou um boletim de ocorrência para que o hospital desse conta do paradeiro do corpo da idosa e agilizasse a entrega do caixão para enterro. Os familiares afirmam que vão ingressar com ação judicial de reparação de danos morais.

A aposentada morava no complexo habitacional Aluízio Campos, em Campina Grande, e deu entrada no hospital, na última sexta-feira (22), sentindo falta de ar, com febre e tosse seca. Familiares chegaram a receber fotos dela durante a internação, quando Rita fazia uso de uma cânula nasal de oxigênio. O estado de saúde dela se agravou e a idosa morreu na segunda-feira (25).

No mesmo dia, o corpo de um agricultor de 54 anos, que também morreu de covid-19, estava no necrotério do hospital. O corpo da idosa foi liberado para os familiares do homem para enterro, dando origem ao erro notado na terça-feira, quando a nora da idosa, Maria Dalva Gomes, foi fazer o reconhecimento do corpo e percebeu que o corpo de Rita não estava no necrotério.

"Ficamos em choque, pois o sofrimento de perdê-la e de não saber onde estava o corpo foi terrível. Na hora cheguei a passar mal", diz Maria Dalva, alegando que só foi comunicada da morte da sogra um dia depois. "Acontece uma irresponsabilidade dessas. Vamos processar o hospital e quem for mais responsável por esse transtorno todo", afirma.

Devido à demora para trazer o caixão com o corpo da aposentada, familiares dela registraram um boletim de ocorrência na central de flagrantes de Campina Grande na manhã de ontem.

Após três dias, o caixão com o corpo de Rita de Alcântara foi desenterrado no cemitério de Gado Bravo e levado para o necrotério do hospital, quando foi entregue aos familiares para enterro em Campina Grande.

As pessoas que morrem de covid-19 têm o caixão lacrado, após reconhecimento do corpo por familiares, e não podem ser velados devido ao risco de contaminação do novo coronavírus.

Em Campina Grande, 25 pessoas morreram com covid-19 e 1.025 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus, segundo boletim epidemiológico da prefeitura. A taxa de ocupação de leitos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) está em 77% e em enfermaria está em 60%. Na Paraíba, já são 298 óbitos por covid-19 e 10.209 pessoas estão com o novo coronavírus.

Secretaria e hospital investigam caso

A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que abriu processo administrativo para apurar as responsabilidades da troca dos corpos e que está dando suporte às famílias envolvidas na situação. Mas, ao mesmo tempo, a nota cita que os familiares reconheceram os corpos, o que teria contribuído para a falha.

"A secretaria esclarece ainda que as famílias fizeram o reconhecimento presencial dos corpos, conforme determina protocolo do hospital. No entanto, com a apreensão diante de uma possível transmissão da covid-19, além do momento de luto, infelizmente, contribuiu para equívocos por parte dos familiares durante o processo", justificou a pasta.

A direção do hospital Pedro 1º informou que abriu uma sindicância para apurar de quem foi o erro da troca dos corpos. Segundo o hospital, um profissional acompanha familiares de pacientes mortos por covid-19 durante o reconhecimento de corpos no necrotério e o estabelecimento ouvirá os responsáveis do plantão para descobrir em que momento ocorreu a falha.

De acordo com o hospital, há a possibilidade de a família do homem ter se confundido na identificação. já que os corpos estão parcialmente lacrados em um saco.

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