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3 meses
PM sem identificação empurra repórter do UOL pelas costas em manifestação

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

14/06/2020 14h47Atualizada em 15/06/2020 11h38

Um policial militar sem identificação na farda empurrou pelas costas o repórter do UOL Luís Adorno enquanto ele gravava um princípio de tumulto entre três jovens identificados como neonazistas e manifestantes contrários ao governo Jair Bolsonaro (sem partido), no início da tarde de hoje, na avenida Paulista.

Ao ser empurrado, o celular do repórter caiu no chão e teve a tela danificada. A comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) lamentou a ação. Não havia aglomeração de pessoas. Segundo testemunhas, o policial empurrou para atrapalhar o registro.

O repórter procurou o policial, questionou sua identificação e afirmou que ele não precisava ter cometido a agressão. O PM, em tom intimidatório, afirmou: "Vem cá, vamos trocar uma ideia, o que você falou aí? O que você falou aí?". Em seguida, xingou o repórter com um palavrão.

A situação ocorreu após três jovens terem passado em frente à manifestação com símbolos nazistas. Manifestantes antifascistas tentaram expulsá-los do local. Ao chegar próximo de uma viatura da PM estacionada, um dos manifestantes antifascistas denunciou os três neonazistas aos PMs.

Policial militar (à direita da imagem, de óculos) empurrou repórter do UOL que filmava discussão pelas costas em manifestação da avenida Paulista, em São Paulo - Luís Adorno/Do UOL - Luís Adorno/Do UOL
Policial militar (à direita da imagem, de óculos) empurrou repórter do UOL que filmava discussão pelas costas em manifestação da avenida Paulista, em São Paulo
Imagem: Luís Adorno/Do UOL

A agressão do PM contra o repórter ocorreu enquanto ele gravava uma discussão entre os antifascistas, os neonazistas e os policiais militares.

Rafael Ferreira Souza, antifascista, testemunhou a agressão. "Você pegou o celular para filmar o que estava acontecendo e chegou o policial e te esbarrou de propósito, isso aí todo mundo viu, de propósito, pra você não filmar o que tava acontecendo", afirmou.

O capitão da PM Rogério da Silva Julio orientou o repórter a enviar as informações para a Corregedoria para que seja apurado e afirmou que esse tipo de atitude não é tolerável.

Em nota, a Polícia Militar afirmou que adotou as medidas cabíveis para a apuração do ocorrido, contatou o repórter e o orientou a formalizar a denúncia.

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