PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
3 meses
São Paulo tem atos esvaziados contra e a favor de Bolsonaro

Emanuel Colombari, Felipe Pereira e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

14/06/2020 15h34

Movimentos sociais e torcidas organizadas se juntaram na tarde de hoje para protestar contra o racismo, o fascismo e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na avenida Paulista, em São Paulo. O ato começou no Masp e seguiu sentido bairro Paraíso. Segundo estimativa da Polícia Militar, havia cerca de mil pessoas.

Em razão de um acordo mediado pelo Ministério Público de São Paulo, apenas o grupo contrário ao presidente compareceu à avenida Paulista neste domingo. Apoiadores de Jair Bolsonaro se manifestaram no viaduto do Chá (centro da cidade) e reuniram cerca de cem pessoas, de acordo com a PM.

Foi uma tarde fria e nublada na região central de São Paulo, com temperatura em torno de 15ºC.

Os grupos autointitulados antifascistas e pró-democracia tinham à frente o grupo Somos Democracia, a Frente Povo Sem Medo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e a CMP (Central de Movimentos Populares), além de grupos antifascistas das torcidas dos quatro maiores clubes de São Paulo: Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.

Esses movimentos defendem a saída do presidente e exibem mensagens contra o racismo e o fascismo, além de defender a ampliação de direitos da população. A organização do movimento voltou a pedir que os manifestantes usem máscaras, higienizem as mãos e procurem manter o distanciamento social, devido à pandemia da covid-19.

A advogada Paula Nunes dos Santos, 26, foi ao local em defesa dos negros. "Estou aqui hoje porque quero que a juventude negra tenha direito ao futuro", afirmou enquanto segurava uma faixa com a frase escrita: "Vidas negras importam".

paula - Luís Adorno/UOL - Luís Adorno/UOL
Imagem: Luís Adorno/UOL

A estudante Mel Sevlai, 16, afirmou ter ido à Paulista para se "manifestar contra o fascismo que está escancarado no país". Seu colega, o também estudante Raul de Oliveira, 17, complementou que também foi ao local para protestar contra os atos racistas do governo.

estudantes - Luís Adorno/UOL - Luís Adorno/UOL
Imagem: Luís Adorno/UOL

Símbolos nazistas

No início do ato, houve um princípio de confusão quando três jovens com símbolos nazistas passaram em frente à manifestação. Manifestantes antifascistas tentaram expulsá-los do local. Ao chegar próximo de uma viatura da PM estacionada, um dos manifestantes antifascistas denunciou os três neonazistas aos PMs. Os PMs afirmaram que levariam o denunciante e os neonazistas para a delegacia.

Um policial militar sem identificação na farda empurrou pelas costas o repórter do UOL, Luís Adorno, que gravava o princípio de tumulto entre os três jovens identificados como neonazistas e manifestantes contrários ao governo Bolsonaro.

Ao ser empurrado, o celular do repórter caiu no chão e teve a tela danificada. A comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) lamentou a ação. Não havia aglomeração de pessoas. Segundo testemunhas, o policial empurrou para atrapalhar o registro.

Apoiadores de Bolsonaro

O protesto favorável ao presidente em São Paulo foi menor do que os promotores esperavam. Ele levou entre 150 e 200 pessoas ao viaduto do Chá, conforme o major Costa e Silva, um dos organizadores. "Realmente, esperava mais gente", lamentou.

Categorias que estiveram presentes em manifestações desde março, como motoboys, grupos de motociclistas, motoristas de vans e caminhoneiros, não apareceram. As justificativas foram o frio e a mudança no local do ato. O major afirmou que havia percebido nas redes sociais o receio de muitos apoiadores do governo federal em ir ao centro de São Paulo.

"Muitos apoiadores acham que a luta acabou com a eleição do presidente. Se ficar acomodado dentro de casa, vamos perder tudo que conquistamos."

O movimento — que também registrou críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e às medidas de isolamento no combate ao novo coronavírus — foi acompanhando por vários policiais militares e houve a exigência que fossem recolhidas faixas com hastes de madeira. Este é um dos itens proibidos pela Secretaria de Segurança Pública em atos na cidade. O temor é que sejam usados como arma em confrontos com manifestantes de esquerda.

"Retiramos para dar exemplo. Sempre demos exemplo", declarou o major Costa e Silva.

Manifestantes em Brasília

No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) proibiu a circulação de carros e pessoas hoje na Esplanada dos Ministérios. Mesmo assim, cerca de 50 pessoas se reuniram perto dali, na Praça dos Três Poderes, para um ato de cerca de duas horas a favor de Bolsonaro.

Diferente do que fez nos sete domingos anteriores, o presidente da República não compareceu às manifestações de apoio. Na última semana, Bolsonaro pediu para os apoiadores ficarem em casa.

Ontem à noite, militantes bolsonaristas dispararam fogos de artifício contra o prédio do STF. Hoje, em nota, o presidente da corte, ministro Dias Toffoli, disse que o tribunal "jamais se sujeitará" a "nenhum tipo de ameaça".

Colaboraram Adriano Wilkson, de São Paulo, e Luciana Amaral, de Brasília

Cotidiano