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2 meses
Em vídeo, familiares de Miguel e artistas cobram Justiça por morte trágica

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

03/07/2020 12h32

Um vídeo gravado em forma de manifesto com depoimentos de familiares do menino Miguel Otávio Santana da Silva, 5, que morreu ao cair do 9º andar de um dos prédios do condomínio de luxo Pier Maurício de Nassau, em Recife, tem chamado a atenção nas redes sociais. Artistas e ativistas entraram na campanha e também cobram por Justiça na morte do menino, que completou um mês ontem.

O vídeo foi produzido pelo Coletivo Negritude do Audiovisual de Pernambuco e foi idealizado e articulado por Igor Travassos, Rafaella Gomes e Victória Álvares. A gravação tem dois minutos e 26 segundos. Na descrição do vídeo, o coletivo afirma que "há um mês fomos atravessados pela morte de Miguel" e relembra o que ocorreu desde a morte do garoto.

As imagens começam com a mãe de Miguel dizendo "meu nome é Mirtes Souza e quero justiça por Miguel". Na sequência, a avó Marta Maria Souza, tios, primos vizinhos, ativistas sociais e artistas engrossam o coro pedindo justiça.

Dentre os artistas que participaram do vídeo estão as atrizes Mariana Ximenes e Laís Vieira, os atores Matheus Nachtergaele, Leandro Ramos, Leandro Firmino de Souza, Vitor Thirré, Bruno Goia e Otávio Muller, além dos cantores Thaíde e Gabi da Pele Preta, e da advogada e ativista do movimento negro, a advogada Dani Portela.

Frases como "Justiça por Miguel", "Eu quero justiça por Miguel" e "Nós exigimos justiça por Miguel" entoam um coro com várias vozes e rostos. Ao final, uma criança identificada por Felipe diz "eu vim pedir justiça pelo meu primo Miguel".

Caso fez um mês ontem

No dia 2 de junho, Miguel foi com a mãe para o trabalho dela porque a creche que ele ficara estava com as atividades suspensas devido à pandemia do novo coronavírus. Mirtes trabalhava para o prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), e a primeira-dama, Sarí Mariana Gaspar Corte Real.

A empregada doméstica precisou sair para passear com a cadela dos patrões e deixou o menino sob os cuidados de Sarí. Com poucos minutos, o menino quis ir atrás da mãe, sendo retirado por quatro vezes do elevador, mas na quinta vez foi deixado sozinho por Sarí no equipamento. Segundo a polícia, ela não fez o monitoramento do elevador para onde o menino estava indo e voltou a fazer o embelezamento das unhas com uma manicure dentro do apartamento, que fica no 5º andar.

Miguel caiu de uma altura de 35 metros enquanto estava perdido e procurava pela mãe. O delegado Ramon Teixeira, responsável pelas investigações, afirmou que possivelmente o menino não tinha noção que estava no 9º andar, avistou a mãe na calçada do condomínio e quis ir atrás dela, mas acabou caindo da grade em queda livre e morreu durante atendimento no hospital da Restauração, localizado na área central do Recife.

A Polícia Civil de Pernambuco indiciou Sarì Corte Real pelo crime de abando de incapaz com resultado morte. Antes, ela sido presa em flagrante pelo crime de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada para responder pelo crime em liberdade.

No decorrer das investigações a polícia, baseada nas imagens do prédio e nos depoimentos de testemunhas mudou o entendimento e finalizou o inquérito com o crime de abandono de incapaz resultado em morte. A defesa de Sarí diz que aguarda "com serenidade" se o caso vai ser arquivado ou denunciado pelo Ministério Público Estadual à Justiça.

Na quarta-feira (1º), a Justiça determinou o bloqueio parcial de bens do prefeito Sérgio Hacker a pedido do Ministério Público Estadual porque ele colocou as três empregadas domésticas que trabalhavam para ele como servidoras comissionadas da prefeitura. Na ação, o prefeito é acusado de enriquecimento ilícito e atos de improbidade administrativa. O MPE pediu o bloqueio de R$ 580 mil, equivalente ao valor de R$ 193 mil pagos as empregadas doméstica no período que elas foram empregadas pelo prefeito e multa para ressarcimento do dano ao erário.

O prefeito de Tamandaré também está sendo investigado pela Draco (Departamento de Repressão ao Crime Organizado), da Polícia Civil de Pernambuco, por supostamente empregar funcionários fantasmas na administração municipal. O UOL tentou contato com Hacker na manhã de hoje, mas até a publicação deste texto ele ainda não respondeu às indagações.

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