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Segurança pública

Ex-Rota suspeito de trabalhar para o PCC é denunciado por homicídio

23.ago.2017 - Viatura da Rota sai do batalhão em velocidade para uma operação em SP - Jorge Araujo/Folhapress
23.ago.2017 - Viatura da Rota sai do batalhão em velocidade para uma operação em SP Imagem: Jorge Araujo/Folhapress

Alex Tajra

Do UOL*, em São Paulo

11/08/2020 15h14

O Ministério Público de São Paulo denunciou por homicídio o sargento Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, 36, do 4º BAEP (Batalhão de Ações Especiais), suspeito de ter envolvimento em uma disputa interna do PCC (Primeiro Comando da Capital), em 2018, que culminou em uma série de ataques no bairro do Tatuapé, zona leste da capital, naquele ano.

A promotora Soraia Bicudo Simões Munhoz, que assina o pedido, também pediu a prisão preventiva do sargento. O advogado Eduardo Kuntz, que defende Farani, afirmou que ainda não foi intimado, mas está confiante de que "as provas da defesa devem ser consideradas para afastar as ilações, meramente indiciárias, da acusação".

Farani agora é acusado formalmente de ser o mandante do assassinato do cabo Wanderley Oliveira de Almeida Júnior, 38, ocorrido em fevereiro deste ano, em Itaquera, zona leste. A vítima levou 22 tiros. Farani e Wanderley trabalharam juntos no 4º BAEP. A amizade dos dois ficou estremecida em 2018, quando o sargento pediu alguns favores para o cabo, conforme revelado pelo UOL em junho.

Policial militar Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, suspeito de prestar serviços ao PCC - UOL - UOL
Policial militar Farani Salvador Freitas Rocha Júnior, suspeito de prestar serviços ao PCC
Imagem: UOL

A apuração mostra que o primeiro favor foi sobre informações de Márcio Alario Esteves, o Turim, braço direito de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. O segundo pedido fora ainda mais preocupante: o levantamento das placas de um Audi, cujo proprietário seria Cláudio Roberto Ferreira, o Galo, assaltante de bancos ligado à cúpula do PCC.

"Os elementos colhidos indicam o envolvimento do investigado com criminosos ligados ao crime organizado ("P.C.C."). A violência e ousadia do crime revelam personalidade violenta do denunciado, que também é policial militar, além de sua concreta periculosidade e descaso para com a vida humana", escreve a promotora na denúncia enviada à Justiça no último dia 31.

Segundo a promotora, citando investigação da Polícia Civil, o cabo Wanderley sabia das ligações de Farani com o PCC e pretendia denunciá-lo às autoridades, mas tinha medo de represálias contra sua família. Dias antes de sua morte, ele compartilhou com outros policiais de sua confiança as informações que tinha de Farani e teria dito a eles para que levassem o caso aos seus superiores.

O caso

Três dias após o pedido de levantamento de informações sobre veículo cujo proprietário seria Galo, assaltante de bancos ligado ao PCC, este foi assassinado com 70 tiros de fuzil no Tatuapé, zona leste. Galo foi acusado acusado de ter atraído Wagner Ferreira da Silva, o "Cabelo Duro", homem da cúpula do PCC, para uma emboscada, também no Tatuapé.

"Cabelo Duro" também foi morto com tiros de fuzil, no dia 23 de fevereiro de 2018. Uma semana antes ele havia participado dos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, dois líderes do PCC, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará.

Integrante do PCC foi fuzilado no Tatuapé

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Imagens que registraram a morte de Cabelo Duro mostram que um dos atiradores ficou ferido na perna por conta dos estilhaços. Farani teria um ferimento na mesma região, segundo o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Assim que soube da morte de Galo, o cabo Wanderley entrou em pânico. De acordo com apurações do DHPP, Wanderley e o sargento Farani discutiram bastante.

Um dos receios do cabo era que as investigações sobre a morte de Galo chegassem até ele e o envolvessem no crime por causa do levantamento das placas do Audi dirigido pelo assaltante de banco.

Mas o maior medo de Wanderley era virar uma espécie de "queima de arquivo" por saber da ligação de Farani com o crime organizado. O cabo havia descoberto o envolvimento do sargento com dois criminosos do PCC. Um deles é conhecido como "Well da Facção" e outro como "Cebola".

Segundo Wanderley, o sargento Farani recebia de R$ 50 mil a R$ 100 mil de propinas de traficantes de drogas do PCC na região da Favela Caixa D'Água, no bairro de Cangaíba.

*Com reportagem de Josmar Jozino, Luís Adorno e Flávio Costa, do UOL em São Paulo

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