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Tive muita sorte no meu azar, diz homem atingido por parede durante tornado

Carlos Eduardo foi atingido por parede que caiu durante tornado em Santa Catarina - Arquivo pessoal
Carlos Eduardo foi atingido por parede que caiu durante tornado em Santa Catarina Imagem: Arquivo pessoal

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

18/08/2020 13h37Atualizada em 18/08/2020 18h04

Quando a tempestade começou em Santa Catarina, na última sexta-feira (14), pouca gente tinha ideia de que viraria um tornado. Inicialmente, o vento forte gerou falta de luz em Tangará, a 386 km de distância de Florianópolis, uma das cidades mais atingidas pelo fenômeno. O eletricista Carlos Eduardo Valesan Stanguerlin, 20, estava trabalhando em uma indústria de rações quando percebeu a queda de luz e foi até o gerador para restabelecer a energia.

Quando estava voltando, percebeu telhas voando e procurou abrigo em um dos prédios. Stanguerlin encontrou refúgio entre sacos de farinha em um dos pavilhões, mas não imaginou que a parede nas suas costas iria ruir e atingi-lo. Ele é um dos 16 feridos pela passagem da tempestade no estado, que deixou ainda um morto em Penha. Dois colegas dele também estão na lista de feridos - na tentativa de erguer a parede, acabaram quebrando os dedos.

"Fui me proteger das telhas voando e acabei atingido na cabeça por uma parede. Eu só me lembro quando já estava no bloco da administração da empresa em cima de uma tábua. Meus colegas estavam tentando estancar o sangue na cabeça. Eles tentavam me manter acordado", conta o eletricista, que nem completou três meses na empresa.

Stanguerlin foi colocado em um caminhão e levado às pressas ao hospital, onde levou sete pontos. Devido à gravidade, foi transferido para o Hospital de Videira, a 23 km de Tangará. Ali ficou 12 horas em observação, fez dois eletrocardiogramas e acabou sendo liberado, já que não se constatou inchaço no cérebro.

"Eu tive azar, mas tive muita sorte no meu azar", define o eletricista.

Caminhão tomba enquanto caminhoneiro filmava tempestade

A cinco quilômetros de Stanguerlin, em um posto de combustíveis, o caminhoneiro Elias Piovezan Junior, 22 anos, começou a gravar a chuva forte que atingia a cidade para mostrar à namorada. Em questão de segundos, o vento começou a ficar mais intenso e fez o caminhão tombar e atingir outro veículo, que também estava estacionado.

Em entrevista ao UOL, o caminhoneiro contou que, ao perceber que a tempestade ficava cada vez pior, resolveu entrar na parte da cabine onde fica a cama. "Quando vi que começou a tombar, me deitei na cama, me escondi". Protegido, ele escapou ileso de ser atingido pelos estilhaços e pelos objetos que voavam do lado de fora. Na gravação, Junior chega a rezar em meio à tempestade. "Era o que me restava", conta o motorista.

Passado o tornado, ele teve que sair pelo parabrisa. "Medo eu não tive, mas foi uma sensação de tristeza ver tudo aquilo destruído. Tinha umas 30 pessoas no posto e não sei como todo mundo encontrou refúgio a tempo".

Ao sair do caminhão, ele também pode perceber os estragos no veículo: no chassi e no sider (lona que cobre as laterais). O conserto foi feito por ele e pelo irmão que, caso fosse realizado em uma empresa, custaria cerca de R$ 10 mil.

Ferido por tornado - Divulgação/Defesa Civil SC - Divulgação/Defesa Civil SC
Tangará teve 900 casas atingidas durante passagem do tornado
Imagem: Divulgação/Defesa Civil SC

900 casas foram destelhadas na cidade

Um novo levantamento da Prefeitura de Tangará, divulgado hoje, aponta que 900 casas foram destelhadas pelo tornado na cidade. Outras 40 residências foram completamente destruídas. O município já contabiliza 650 pessoas fora de casa - 150 estão em abrigos públicos e outras 500 estão acomodadas em casa de parentes.

No balanço da prefeitura consta 40 pessoas feridas apenas em Tangará. Entretanto, o número não consta no último levantamento da Defesa Civil estadual, divulgado às 11h de hoje, que mantém os 16 feridos.

Conforme o balanço estadual, 37 cidades foram afetadas pela tempestade e pela passagem dos tornados. Pouco mais de 5.000 residências tiveram danos pelo temporal e 1.503 pessoas estão fora de casa - 850 estão em abrigos públicos e 653 na casa de parentes e amigos.

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