PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
1 mês
MP faz buscas por supostas irregularidades em obra da sede do governo de MG

Complexo da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves foi inaugurado em 2010 - Alex de Jesus/O Tempo
Complexo da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves foi inaugurado em 2010 Imagem: Alex de Jesus/O Tempo

Do UOL, em São Paulo *

23/09/2020 10h46

O MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) realizou hoje uma operação para apurar supostas irregularidades na obra de construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro em Belo Horizonte.

A operação é um desdobramento das apurações que culminaram no indiciamento do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e de outras 11 pessoas em razão de esquema de superfaturamento na construção da Cidade Administrativa, sede do executivo mineiro.

A Cidade Administrativa foi construída durante a gestão do então governador e hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). As obras duraram de dezembro de 2007 a março de 2010, quando o complexo foi inaugurado.

Segundo o MP-MG, mais de 60 agentes cumpriram mandados em três residências e nove empresas - 12, no total -, sendo que entre os alvos da ofensiva estão três endereços residenciais e nove empresas. O material apreendido foi encaminhado ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que chefia o inquérito.

De acordo com a Promotoria mineira, as empresas investigadas teriam sido utilizadas não só para fornecer recursos destinados ao pagamento de propina a agentes políticos e públicos, mas também para atuar na lavagem de dinheiro.

Já os alvos dos outros três mandados de busca estão casas de investigados que operaram os recursos obtidos de forma ilícita, de modo a atuar na distribuição da propina e na lavagem de ativos ilícitos, disse o MP de Minas.

Os investigadores também apontaram indícios de desvio de R$ 232 milhões em recursos públicos por meio de contratações fictícias, cujos serviços não foram prestados. Somado à fraude na licitação, o prejuízo aos cofres do governo mineiro chegam a R$ 747 milhões em valores atualizados.

Tais apurações se debruçaram sobre fatos relatados por diretores e executivos do Grupo Odebrecht que firmaram delação premiada com o STF (Supremo Tribunal Federal).

A operação de hoje teve o apoio da PM (Polícia Militar) e da Polícia Civil mineiras, além da Secretaria de Fazenda do estado. Também participaram das ações o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Segundo a TV Globo, foram cumpridos nove mandados em Belo Horizonte, dois em São Paulo e um no Rio.

Outro lado

À época do indiciamento, o deputado federal Aécio Neves afirmou em nota que "a conclusão da autoridade policial é absurda e contraria as investigações da própria PF que, depois de mais de três anos de investigações, não encontrou nada que comprometesse" sua atuação.

"A obra foi acompanhada por auditoria independente e seu edital apresentado ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ao Ministério Público que não apontaram qualquer irregularidade", disse.

"Sequer os aditivos de preço autorizados por lei foram praticados à época. A defesa confia que a Justiça comprovará o absurdo da acusação", finalizou.

* Com informações de Pepita Ortega e Fausto Macedo, do Estadão Conteúdo

Cotidiano