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Cotidiano

Hospital de Bonsucesso não é referência contra covid por falta de estrutura

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

28/10/2020 04h00Atualizada em 28/10/2020 08h17

Escolhido em março pelo Ministério da Saúde para ser a unidade de referência de combate ao coronavírus no Rio de Janeiro, o Hospital Federal de Bonsucesso, onde um incêndio ocorreu na manhã de ontem, foi descartado pela pasta pouco depois diante da sua incapacidade operacional. Na avaliação do Ministério, não havia pessoal suficiente para operar até 240 leitos dedicados a pacientes diagnosticados com covid-19.

As dificuldades de compra de insumos e a necessidade de reformas para adequação do espaço também pesaram. Em maio, o então ministro Nelson Teich esteve no local durante uma viagem ao Rio de Janeiro e percorreu as instalações que foram atingidas por um incêndio.

Por lá, ele se deparou com a falta de insumos básicos e respiradores para o combate à pandemia. Na porta, funcionários do hospital realizavam um protesto por melhores condições de trabalho. Teich entrou pelos fundos.

Uma semana antes, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) havia pedido a troca de direção de hospital, diante das condições de atendimento. A direção da unidade argumentou que, caso isso acontecesse, o funcionamento do hospital seria ainda mais prejudicado.

O ministro deixou o local falando em investimentos e melhorias, mas, dias depois, o Ministério da Saúde definiu que o Hospital Federal de Bonsucesso não seria mais o centro de referência de combate à covid na capital fluminense.

DPU avisou sobre risco de incêndio no ano passado

A DPU (Defensoria Pública da União) alertou, em dezembro do ano passado, para o risco de incêndio no conjunto de prédios que compõem o Hospital Geral de Bonsucesso. Na ocasião, o Defensor Público Daniel Macedo relatou que os dois transformadores da unidade federal de saúde funcionavam com superaquecimento.

Em documento encaminhado à direção do Hospital de Bonsucesso, Macedo informou que uma vistoria realizada semanas antes havia identificado a falta de estrutura do sistema elétrico e a inoperância dos hidrantes. Em seu texto, o defensor também chamava atenção para a necessidade de criação de um plano de fuga.

Na ocasião, a direção da unidade informou que um plano de reestruturação seria colocado em prática em até 40 dias. O UOL questionou sobre a implementação desse plano, mas até o momento não teve resposta. Se enviado, o posicionamento será incluído nesta reportagem.

O laudo da vistoria feita no Hospital Federal de Bonsucesso foi divulgado poucos dias depois de outro incêndio que ficou na memória dos cariocas. O hospital Dr. Badim, também na zona norte, pegou fogo e 22 pessoas morreram.

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