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Caso Flordelis: Advogado da família de pastor relata ameaça em audiência

Angelo Máximo, advogado da família do pastor, com a mãe de Anderson do Carmo - Reprodução/Instagram
Angelo Máximo, advogado da família do pastor, com a mãe de Anderson do Carmo Imagem: Reprodução/Instagram

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

18/11/2020 10h55

O advogado Ângelo Máximo, que representa a família do pastor Anderson do Carmo, assassinado em junho do ano passado, em caso com suspeita de envolvimento da deputada Flordelis, contou ter sofrido ameaça durante uma audiência, no Fórum de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, realizada na sexta-feira (13).

Ângelo disse ao UOL que um homem, ainda não identificado, teria feito um gesto com as mãos imitando uma arma de fogo enquanto lhe encarava e fazia um sinal afirmativo com a cabeça. Após o ocorrido, o advogado relatou o que viu para um promotor que o aconselhou a informar a juíza. O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

"Em um estágio avançando já da audiência eu tive a atenção despertada para essa pessoa que estava me encarando e fez um gesto de arma com a mão apontando para a própria cabeça. Eu vi isso diversas vezes, mas eu estava na palavra e não quis acreditar que aquilo fosse uma suposta tentativa de intimidação. Terminando a minha palavra eu chamei o promotor e narrei o fato. Eu então fui falar com a juíza já que o promotor me aconselhou e ele viu eu falando com ela", disse Ângelo.

O advogado falou ainda que passou a acreditar que seria realmente uma intimidação quando ouviu de um amigo que o homem seria um dos seguranças da acusada [Flordelis], suspeita de ser a mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo. Ainda não se sabe a identidade do homem.

flordelis - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Pastor Anderson do Carmo de Souza e a deputada federal Flordelis
Imagem: Reprodução/Facebook

"Eu passei mais a acreditar nessa tentativa de intimidação quando meu amigo me confidenciou que foi seguido por seguranças dela, por isso eu procurei a Delegacia de Homicídios e registrei a ocorrência. É importante a polícia estar ciente desse fato para o que acontecer com a minha integridade saber que foi do âmbito dos acusados [os seguranças] e inclusive da própria acusada", completou.

Ao UOL, Ângelo Máximo disse ainda que a Polícia Civil já está solicitando as imagens do fórum junto ao Tribunal de Justiça para identificar o homem. As imagens serão entregues na DH.

Bate boca das defesas

O advogado de Flordelis, Anderson Rollemberg se pronunciou sobre o ocorrido e disse que Ângelo vai precisar provar a acusação.

"Cada pessoa deve responder por seus atos. Portanto, se alguém o ameaçou na audiência, caberá o advogado denunciante primeiramente provar que foi ameaçado e depois provar que foi por mando da deputada. Tudo um verdadeiro circo desse advogado", alegou ele.

Já Ângelo Máximo alegou que Rollemberg deveria "se solidarizar com o colega que recebeu a suposta tentativa de intimidação".

"Somos todos advogados, independentemente do lado em que estamos. Somos uma classe, mas pelo que ele está avaliando da informação por mim passada e registrada na delegacia, nós não somos uma Ordem dos Advogados do Brasil. Ele chegou a falar isso em audiência, ele então está se contradizendo. Mas essa é a sensibilidade da pessoa humana que não quer saber do próximo. Isso é o que mais tem hoje na advocacia", finalizou Ângelo.

Outras ameaças

Ao longo da investigação da morte do pastor Anderson do Carmo, o advogado relatou ainda que sofreu outras seis ameaças.

"Um motociclista parou ao meu lado e me disse para 'tomar cuidado' por estar lidando com 'gente grande'. As outras ameaças foram feitas por pessoas diferentes que me paravam na rua e diziam algo semelhante", disse o advogado.

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