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Conteúdo publicado há
3 meses

Jovem tenta filmar abordagem da PM e é atingido com bala de borracha; vídeo

Daniel Rocha e Rafael Souza

Colaboração para o UOL, em Fortaleza e em São Luís

01/12/2020 17h38

Um jovem foi alvejado na perna com bala de borracha ao tentar filmar uma abordagem da Polícia Militar em uma lanchonete. O caso aconteceu na madrugada do último domingo (29) em Rosário (MA), cidade a 70 km de São Luís. A corporação teria sido acionada ao local após um denúncia de moradores da região por aglomeração e perturbação do sossego público. No entanto, os oficiais abordaram de forma violenta as pessoas que estavam no estabelecimento.

O caso ganhou repercussão após um vídeo circular nas redes sociais, mostrando toda ação policial. De acordo com as imagens, um dos agentes chuta uma mesa e empurra uma das pessoas no local. Um rapaz tenta filmar a ação, mas é surpreendido com um disparo de bala de borracha feito por um dos agentes.

A irmã do jovem, que se identificou apenas como Elma, usou as redes sociais para se manifestar. Em vídeo, ela relata que foi até a delegacia para denunciar o caso.

"O que eu pergunto é: qual o direito que eles têm de atirar em alguém à queima-roupa e depois justificar que não vai acontecer nada porque a bala é de borracha? Qual direito eles têm de fazer isso?", questiona a irmã da vítima.

Elma também relatou que, ao chegar à delegacia, um dos responsáveis pelo policiamento ironizou a ocorrência.

"Ele me atendeu na porta e já com ironia para saber o que aconteceu, já com o tom de superioridade", criticou. "Agora, o que me revolta é que as pessoas são treinadas para garantir a segurança. E como o meu irmão foi tratado? Está com um buraco na perna. Um total despreparo de alguns policiais."

Abordage Rosário MA - Reprodução - Reprodução
Disparo foi efetuado no momento em que o rapaz tentava filmar a ação policial; OAB do Maranhão pediu providências ao poder público contra os agentes
Imagem: Reprodução

A Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA também se manifestou. Em nota divulgada nas redes sociais, a entidade exigiu do Poder Público as providências necessárias contra os agentes. Além disso, o órgão se comprometeu em apurar e acompanhar o caso.

"Considerando a gravidade dos fatos apresentados no vídeo, a OAB-Maranhão, entidade com assento constitucional, exige do Poder Público que sejam tomadas todas as providências necessárias para apuração dos fatos e a punição dos responsáveis, tanto na esfera administrativa, como na esfera criminal", diz a nota.

Policiais afastados e pedido de desculpas

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados. A pasta garantiu que todos os procedimentos serão adotados para investigar a conduta dos PMs e que não compactua com condutas cujas "ações não coadunam com os princípios profissionais e éticos que orientam as atividades da corporação".

"Serão reforçadas as medidas de prevenção e repressão às ações desta natureza, contrárias aos fundamentos do estado democrático de direito", informou a corporação em nota.

Já o comandante da Polícia Militar no Maranhão, Coronel Pedro Ribeiro, gravou um vídeo pedindo desculpas à família do Cláudio e à sociedade sobre o que os policiais fizeram na cidade.

A Polícia Militar do Maranhão pede desculpas à sociedade, ao Cláudio, ao Emanuel e a seus familiares, que foram vítimas de agressões de policiais militares em abordagem na cidade de Rosário. A PM já tomou todas as providências disciplinares e repudia qualquer ato contrário à lei", disse.

Leia a nota na íntegra da polícia:

A Polícia Militar do Maranhão (PMMA) esclarece que afastou os policiais envolvidos na ocorrência em uma lanchonete na madrugada deste domingo (29), na cidade de Rosário. O comando do 20º BPM, sediado no município, já instaurou o inquérito policial que irá apurar as circunstâncias do fato.

Todos os procedimentos administrativos cabíveis acerca da conduta dos PMs vão ser adotados pela Corregedoria da corporação, bem como, serão reforçadas as medidas de prevenção e repressão às ações desta natureza, contrárias aos fundamentos do estado democrático de direito.

O Comando Geral da PM ressalta que não compactua ou legitima condutas cujas ações não coadunam com os princípios profissionais e éticos que orientam as atividades da corporação

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