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Montei árvore de Natal pela 1ª vez, diz mulher libertada após 38 anos em MG

Madalena Gordiano foi libertada após viver 38 anos em regime análogo à escravidão - Reprodução/TV Globo
Madalena Gordiano foi libertada após viver 38 anos em regime análogo à escravidão Imagem: Reprodução/TV Globo

Do UOL, em São Paulo

28/12/2020 12h17

Aos 47 anos, Madalena Gordiano teve na última semana a oportunidade de montar sua primeira árvore de Natal. Isso porque ela foi mantida durante 38 anos em um regime de trabalho análogo à escravidão em Minas Gerais. No final de novembro, ela foi libertada por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Federal em Patos de Minas (MG).

"É a primeira vez que eu arrumo [uma árvore de Natal]. Montei pela primeira vez. No lugar que eu morava, não deixava", disse Madalena ao "Fantástico", da TV Globo, que revelou a história no último dia 20.

A empregada doméstica passou a ceia de Natal na casa da assistente social que tem cuidado de Madalena desde que ela foi libertada.

"Estou aprendendo a viver. Graças a Deus", afirmou Madalena, que também contou ter tirado uma foto recente com um Papai Noel.

Madalena foi retirada da casa do professor universitário Dalton César Milagres Rigueira após denúncias de vizinhos ao MPT (Ministério Público do Trabalho). Ele é filho de Maria das Graças Milagres Rigueira, também professora e que mantinha Madalena em sua casa desde que a empregada doméstica ainda era uma menina, com 8 anos.

Com a família Milagres Rigueira, Madalena morou primeiro nas cidades de São Miguel do Anta e Viçosa, por 24 anos, e depois se mudou para Patos de Minas, onde permaneceu pelos últimos 14 anos.

Em sua última morada, Madalena não podia sair do apartamento onde dormia e tinha como principal função a limpeza de imóvel, sem pagamento de salário ou direito a dias de descanso e férias.

Mesmo sendo impedida de estudar pelos patrões, os três anos que frequentou a escola ajudaram a empregada a denunciar a rotina de abusos a que era submetida. Durante os dois últimos anos, ela escreveu bilhetes para vizinhos pedindo ajuda. Foram eles que embasaram a denúncia sobre a situação de Madalena feita pelo MPT.

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