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Turistas de SP dispensam máscaras em praias de Santos no feriadão

Banhistas na cidade de Santos - Fernanda Luz/UOL
Banhistas na cidade de Santos Imagem: Fernanda Luz/UOL

Maurício Businari

23/01/2021 17h49

As praias de Santos, litoral de São Paulo, ficaram movimentadas na manhã de hoje com muita gente querendo aproveitar ao máximo o último final de semana sem restrições. As máscaras, apesar de obrigatórias desde maio no município, não estavam sendo usadas pela maioria dos banhistas que ocupavam as cadeiras e guarda-sóis fornecidos pelos ambulantes, na faixa de areia. De máscara mesmo, só quem se aventurava por uma caminhada à beira-mar. E, mesmo assim, não eram todos.

Segundo a Ecovias, até a manhã de hoje mais de 130 mil veículos desceram a serra, após o Governo do Estado anunciar medidas mais rígidas com a mudança da Baixada Santista para a fase laranja durante a semana, e vermelha aos finais de semana, no Plano SP. E a expectativa é de que, por conta do feriado do aniversário de São Paulo, até a meia-noite de segunda, 320 mil veículos também tenham ido ao litoral.

Ouvidos pelo UOL, muitos banhistas disseram que não usam a máscara na praia porque se sentem seguros por conta de ser um ambiente ao ar livre. Na opinião deles, isso reduziria o risco de contágio pelo novo coronavírus. Outra justificativa é o fato de que os grupos que se reúnem sob os guarda-sóis geralmente pertencem aos mesmos núcleos familiares e, portanto, o risco de contágio seria ainda menor.

Nascida no Maranhão e morando em Campinas, a técnica em produção Francisca Gomes, 28 anos, não pensou duas vezes quando sua família tomou a decisão de vir passar o sábado de sol em Santos. Um bate e volta. Afinal, era a sua oportunidade de conhecer o mar pela primeira vez. Empolgada ela conta que correu de medo quando a primeira onda quebrou em cima dela. Mas não sentia temor em estar sem máscara.

"Lógico que a gente fica com um pouco de medo de pegar essa doença. Mas é só manter distância dos outros, não tem erro", disse, enquanto abraçava a amiga e colega de trabalho Raimunda Meire, 40 anos. "Hoje nem está tão cheio, amanhã vai estar mais", comentou Raimunda, acrescentando que seria uma pena elas não poderem passar a noite na cidade para "aproveitar mais no domingo".

A família do advogado André Barilio, 42, veio de São Paulo para passar alguns dias na cidade. Confortavelmente instalados sob uma barraca de praia trazida de casa com o objetivo de "garantir o isolamento", esposa, cunhados, sogros, filho e sobrinho também não usavam máscaras quando foram abordados pela reportagem.

"Na praia, ninguém usa, porque não é arriscado", acredita o advogado. "As pessoas ficam isoladas que nem nós, em grupos da própria família. Estamos ao ar livre. Agora, se fosse um shopping, eu estaria de máscara. Aliás, quando desmontamos tudo e vamos para casa, a primeira coisa que fazemos é vestir as máscaras".

O comerciante Fábio Nishyama, compartilha da opinião do cunhado. Dono de um pet shop na capital, ele afirma que não parou de trabalhar um dia sequer. E que, apesar disso, nenhum membro da família ou funcionário foi afetado. "É só manter os cuidados básicos. Passar álcool em gel nas mãos, manter distanciamento. A praia é um local aberto, não tem aglomeração".

Hoje, para onde se olhava, era possível avistar pessoas sem a proteção. Nos equipamentos públicos de musculação, nos playgrounds, nas mesinhas dos quiosques. Locais preferidos dos santistas aposentados para jogos de carteado e dominó. Estes, sim, usando máscaras enquanto aproveitavam momentos de diversão na companhia dos amigos. Já na faixa de areia e na beira d'água, a situação era outra.

"A maioria das pessoas não está se cuidando, elas não têm medo", desabafou a margarida Micaela Barbosa, 20 anos, enquanto rastelava resíduos da areia e recolhia em um latão. "Aqui a gente encontra de tudo. Luva descartável, um monte. Máscaras, umas cinco por dia. Eu uso máscara o dia todo, tenho álcool aqui no bolso, vivo lavando as mãos. Tem que ter consciência".

Jogo de bocha

Os amigos Antônio Pereira, 76 anos, Márcio Agostinho, 64, Wilson de Freitas, 67 e Charles Viana, 67 ontem divertiam-se jogando bocha em uma pista que é montada nas areias da praia do Gonzaga há mais de 24 anos. Antônio, líder do grupo, diz que a prática do esporte ali é realizada com todos os cuidados exigidos. Mas por vários momentos seus amigos podiam ser vistos nos intervalos dos jogos, batendo papo sem a proteção.

"O vírus não voa, ele pega de corpo para corpo", acredita Freitas. "Eu trabalho aqui, montando a pista de bocha e a quadra de tamboréu quatro vezes por semana. Mas se bloquearem a praia, e eu parar de receber não teria condições sequer de pagar o condomínio de onde eu moro".

Aumento de casos

A Baixada Santista passou o número de 3 mil óbitos causados pela covid-19 nesta sexta-feira (22). De acordo com os boletins epidemiológicos divulgados pelas prefeituras das cidades, foram nove mortes nas últimas 24 horas. A região ainda soma mais de 89 mil casos confirmados da doença. O número de hospitalizados chega a 289.

Com as taxas de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) acima de 71% por causa do novo coronavírus (covid-19), o governo de São Paulo decidiu colocar todo o estado na Fase Vermelha aos finais de semana, feriados e no período noturno, sempre após as 20h nos dias úteis. A medida passa a valer a partir de segunda-feira (25). A Fase Vermelha deve vigorar, pelo menos, até o dia 7 de fevereiro.

Aos sábados, domingos, feriados e após as 20h nos dias úteis, só poderão funcionar os serviços considerados essenciais das áreas de logística, saúde, segurança e abastecimento. O restante das atividades econômicas, tal como o comércio, terá que ser fechado nesses dias e horários.

A medida já vale para o feriado do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo.

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