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Com fase vermelha, comerciantes em praias de Santos falam em prejuízo

Fernanda Luz/UOL
Imagem: Fernanda Luz/UOL

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

23/01/2021 17h39

Comerciantes dos quiosques e os ambulantes que atuam na faixa de areia das praias de Santos, litoral de São Paulo, estão preocupados com o anúncio do Governo do Estado de retorno à fase vermelha do Plano SP já a partir do fim de semana que vem. A categoria foi uma das mais afetadas pela crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. De março a setembro de 2020, as praias tiveram que permanecer fechadas. Ouvidos pelo UOL, os comerciantes apontam queda de 50% no movimento normal por conta das restrições provocadas pela covid-19.

Há 50 anos comercializando alimentos e bebidas em um quiosque na praia do Gonzaga, Simião Bispo de Oliveira é um dos comerciantes mais antigos da cidade. E, apesar da experiência, já acumula até o momento mais de R$ 100 mil em prejuízos. Durante o período em que o quiosque ficou fechado, foi obrigado a se desfazer de muitas mercadorias. Como os mais de 10 mil cocos que teve que jogar fora.

Os governos não nos ajudaram em nada. Os bancos não emprestaram dinheiro. Os impostos continuaram sendo cobrados. Assim como os encargos dos funcionários e as outras contas. Aqui no quiosque usamos máscaras, seguimos todas as medidas sanitárias. Colocamos até cordão de isolamento para organizar. Mas se fechar tudo de novo, não vamos aguentar. Simião Bispo de Oliveira

O ambulante Adailton Oliveira, 38 anos, há 18 trabalha fantasiado de personagens infantis para vender algodão doce. Ele, que já foi um dos teletubbies que circulavam pela praia no final dos anos 90, hoje se veste de homem-aranha para ganhar o seu sustento. Uma fantasia que, segundo ele, tem a vantagem de já vir com uma máscara incluída.

"Eles não podem fechar tudo de novo. Como vai ser? Pode andar de ônibus lotado, pode frequentar shopping lotado, mas não pode caminhar na praia, ao ar livre? Como nós, que dependemos da praia, vamos sobreviver?".

A mesma pergunta se faz o ambulante de quinquilharias Paulo Siqueira, 38 anos, há 20 vivendo dos negócios na faixa de areia. No ano passado, de março a setembro, o movimento parou 100%. Se não fosse o auxílio emergencial, ele garante que ele e sua família não teriam sobrevivido à crise.

"Já está difícil agora, imagine o que vem pela frente", desabafou o ambulante de bebidas Luis Carlos Aparecido, de 48 anos. "Tivemos que dispensar três funcionários porque não estávamos dando conta. Afinal, reduziram muito nossa cota de cadeiras e guarda-sóis. Eu trabalhava com 150 cadeiras e 50 guarda-sóis. Hoje, com as restrições municipais, são 50 cadeiras e 10 guarda-sóis. E agora vão fechar as praias de novo?".

Fase vermelha aos finais de semana

Com as taxas de ocupação de unidades de terapia intensiva (UTI) acima de 71% por causa do novo coronavírus (covid-19), o governo de São Paulo decidiu colocar todo o estado na Fase Vermelha aos finais de semana, feriados e no período noturno, sempre após as 20h nos dias úteis. A medida passa a valer a partir de segunda-feira (25). A Fase Vermelha deve vigorar, pelo menos, até o dia 7 de fevereiro.

Aos sábados, domingos, feriados e após as 20h nos dias úteis, só poderão funcionar os serviços considerados essenciais das áreas de logística, saúde, segurança e abastecimento. O restante das atividades econômicas, tal como o comércio, terá que ser fechado nesses dias e horários. A medida já vale para o feriado do dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo.

A Baixada Santista passou o número de 3 mil óbitos causados pela Covid-19 nesta sexta-feira (22). De acordo com os boletins epidemiológicos divulgados pelas prefeituras das cidades, foram nove mortes nas últimas 24 horas. A região ainda soma mais de 89 mil casos confirmados da doença. O número de hospitalizados chega a 289.

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