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SP: PM investiga agressão de policial a adolescente em Américo Brasiliense

Vídeo mostra PMs investigados por agressão a jovem de 17 anos - Reprodução
Vídeo mostra PMs investigados por agressão a jovem de 17 anos Imagem: Reprodução

Leonardo Martins e Luís Adorno

Colaboração para o UOL, em São Paulo, e do UOL, em São Paulo

02/02/2021 04h00

A Polícia Militar investiga uma denúncia de agressão de dois policiais militares a um adolescente de 17 anos em uma praça, em Américo Brasiliense, cidade de 41 mil habitantes na região de Araraquara, interior de São Paulo. O caso foi na semana passada.

Ao UOL, a mãe do jovem, G.S.O., 38, disse que o filho levou um "mata leão" e chegou a desmaiar com o enforcamento do agente. Segundo a família, ele contou que, durante a agressão, foi xingado de "preto vagabundo" e "negro safado".

Em nota, a SSP (Secretaria Estadual da Segurança Pública) diz que "dois menores foram abordados e, ao solicitar o documento, um deles começou a xingar e ofender os agentes. Ele foi contido e encaminhado à unidade de saúde municipal". Os policiais militares registraram boletim de ocorrência alegando desobediência, desacato e resistência.

Uma pessoa que estava próxima ao local registrou um vídeo após a agressão. Na gravação, é possível ver dois PMs agachados próximos ao jovem, que está deitado no chão. A pessoa que filmou grita: "O moleque é de menor. Desmaiaram ele, olha lá. Vai chamar a mãe dele".

Na contramão das regras da corporação

A ação descrita pela mãe do adolescente vai na contramão das regras da Polícia Militar de São Paulo. No ano passado, a corporação proibiu o uso de técnicas de defesa pessoal como "chave de pescoço" —também conhecida como "mata leão", em que o alvo é enforcado com os braços. O soco frontal e movimentos em que se usa pernas, ombros ou quadril para derrubar a outra pessoa também foram vetados.

O adolescente relatou que estava com outro amigo, também negro, sentado na praça próxima a sua casa brincando com crianças do bairro. O cabo Fernando Araújo teria chegado, acompanhado de outro colega de farda, e abordado os dois jovens pois estariam "investigando uma denúncia de tráfico de drogas".

A mãe disse que o policial ainda quebrou o celular do jovem, que ela não havia terminado de pagar.

"Ele [PM] achou que meu filho tinha roubado o celular. Cheguei com a nota na delegacia. Só porque é preto não pode ter um celular melhor? Eles iam fazer com meu filho igual fizeram com aquele negro nos Estados Unidos", disse a auxiliar de produção, lembrando o caso de George Floyd.

Para completar, meu filho disse que ele ainda o ameaçou. Disse que se visse ele na rua de novo, se visse o 'preto vagabundo' na rua, ia dar um tiro.
Mãe do adolescente de 17 anos

PM investiga, mas diz que jovens reagiram à prisão

O cabo Fernando Araújo abriu um boletim de ocorrência sobre o caso para registrar sua versão. Ele afirma que abordou os jovens porque eles apresentaram "comportamento suspeito" e "extremamente agressivo".

O agente disse ainda que o rapaz de 17 anos "resistiu, proferindo insultos aos policiais e se negando entrar na viatura".

Na nota enviada pela SSP à reportagem, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que os policiais foram acionados para atender uma denúncia de tráfico de drogas "promovido por dois adolescentes" na região.

Na versão da secretaria, um dos jovens, ao ser abordado, "começou a xingar e ofender os agentes". "Ele foi contido e encaminhado à unidade de saúde municipal. A PM instaurou um procedimento e apura os fatos", diz a nota.

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