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Funcionário que criticou volta às aulas em MG morre após contrair covid-19

Em texto, William Zila demonstrou preocupação com possibilidade de contagiar pessoas - Acervo pessoal
Em texto, William Zila demonstrou preocupação com possibilidade de contagiar pessoas Imagem: Acervo pessoal

Naian Lopes

Colaboração para o UOL, em Pereira Barreto (SP)

08/03/2021 19h42

William Zila, oficial administrativo da Educação na cidade de Uberlândia (MG), morreu na última sexta-feira (5), menos de vinte dias depois de ter reclamado publicamente da volta às aulas no município, a cerca de 550 km de Belo Horizonte. A Prefeitura afirmou que o funcionário foi afastado após entregar atestado médico.

A morte de William aconteceu após ele ter feito um forte desabafo em suas redes sociais por conta da volta às aulas em Uberlândia. "Testei positivo para covid. Uma outra colega do mesmo setor e turno na escola também testou positivo. Ambos estávamos negativos naquele teste que a prefeitura nos obrigou a fazer na volta às aulas. Daí a pergunta: Conseguem imaginar quantas famílias eu atendi durante o período de volta às aulas?", diz trecho do texto.

Zila não mostrou preocupação apenas consigo, mas com os alunos e ponderou sobre o assunto. "Enquanto estava assintomático, meu filho poderia ter ido para a escola e ter contato com mais 15 crianças de outras famílias. Só na minha escola 8 professores testaram positivo após testar negativo no mesmo teste."

Com 35 anos, William trabalhava na escola Hilda Leão e tinha o sonho de iniciar um curso de enfermagem. Era pai de um garoto, que completou sete anos quando o pai já estava internado na UTI. Nas redes sociais, a irmã dele desabafou sobre a morte.

"Perdi meu irmão, meu melhor amigo, meu companheiro para todas as horas. Meu coração sangra de tamanha tristeza, jamais imaginei sentir essa dor, até porque ele é meu irmão caçula", diz trecho do texto.

O UOL procurou a Prefeitura de Uberlândia, que negou ter colocado a saúde de seu funcionário em risco, e afirmou que ele foi afastado imediatamente após apresentar atestado médico. A Secretaria de Educação diz ainda que vem atuando com proteção e seguindo todas as normas de biossegurança estabelecidas pelas autoridades de saúde. O documento não explica o fato de William ter testado negativo para a doença quando voltou a trabalhar.

O debate pela volta às aulas em Uberlândia começou em dezembro, quando houve ensaio para a decisão de retornar e acabou confirmado em janeiro. Por conta do crescimento de casos na cidade, a Justiça determinou que as aulas presenciais fossem suspensas novamente dias depois de terem iniciado.

Confira a íntegra da nota da Secretaria Municipal de Educação:

A Secretaria Municipal de Educação informa que adotou todas as providências necessárias para proporcionar segurança sanitária aos servidores e que, assim que o servidor mencionado entrou com o atestado de comorbidade, conforme estabelece o decreto 14.453 de 06 de novembro de 2013, ele não mais compareceu ao trabalho.

Esclarece, ainda, que todos os servidores da pasta foram orientados e receberam treinamento da Secretaria Municipal de Saúde para atuar com proteção e seguindo todas as normas de biossegurança estabelecidas pelas autoridades de saúde. Bem como os testes realizados foram com a finalidade de ter um panorama da doença nos servidores, a fim de entender quem já havia adquirido ou estava com a doença.

Reforça que, conforme protocolo conjunto com a Saúde, todas as escolas emitem diariamente um relatório de sintomas gripais para monitorar possíveis casos da doença nas unidades e que todos os protocolos de higienização são cumpridos seguindo recomendações necessárias.

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