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Culto presencial em igreja de Malafaia pede "jejum por decisão do STF"

Cerca de 20 fiéis foram ao culto da manhã de terça-feira (6) na Assembléia de Deus Vitória em Cristo - Divulgação
Cerca de 20 fiéis foram ao culto da manhã de terça-feira (6) na Assembléia de Deus Vitória em Cristo Imagem: Divulgação

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

07/04/2021 04h00

"Satanás quer impedir que as igrejas abram", pregou um dos três pastores que se revezaram na manhã de ontem no púlpito de um culto presencial na igreja neopentecostal Advec (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), na zona leste de São Paulo, liderada pelo pastor bolsonarista Silas Malafaia.

O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) decide hoje sobre a presença de público em cultos religiosos durante a pandemia do novo coronavírus. A Corte deve resolver o impasse após decisões conflitantes dos ministros Kassio Nunes e Gilmar Mendes. Mesmo com o imbróglio, a Advec programou quatro celebrações para esta semana, todas às 18h.

A exceção foi o culto de ontem, a "Manhã com Deus", iniciado às 9h com direito a pedido de "jejum" pela decisão do Supremo.

Com capacidade para 2.000 pessoas, o galpão transformado em igreja contava com 20 fiéis, bem menos do que os 25% da lotação autorizada por Nunes. Recebidos na entrada por um totem com álcool em gel, os fiéis foram proibidos de tirar a máscara e precisaram respeitar a regra: para cada cadeira ocupada, a seguinte deveria estar vazia.

Fachada da igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, na Mooca (SP) - Wanderley Preite Sobrinho/UOL - Wanderley Preite Sobrinho/UOL
Fachada da igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, na Mooca (SP)
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL
O novo coronavírus foi lembrado durante toda a cerimônia. Na primeira oração entoada, o alvo foram os "intubados por covid e profissionais da linha de frente".

A covid-19 não foi esquecida nem durante a leitura da Bíblia, ocasião em que o pastor recomendou aos fiéis que "exigissem" de Cristo a cura para doenças como ebola, câncer, zika e "inclusive a covid".

Fiéis acompanham culto presencial em igreja liderada por Malafaia - Divulgação - Divulgação
Fiéis acompanham culto presencial em igreja liderada por Malafaia
Imagem: Divulgação
"Certamente Ele [Jesus] tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças", afirmou um pastor ao ler a passagem escolhida --Isaías 53:4. "O castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados", continuou.

Apesar de a Advec "estar inaugurando muitas igrejas durante a pandemia", segundo um pastor, "Satanás quer impedir que as igrejas abram", disse. Sem entrar em detalhes, alertou para a possibilidade de que encontros como aquele deixem de acontecer "dependendo do que for decidido amanhã (hoje) pelo STF", e pediu jejum.

Se puderem, jejuem pela decisão do STF
Pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo

Chegava o momento do dízimo. Após citar passagem do Velho Testamento sobre o "holocausto" de animais em oferta a Deus, o pastor pediu "o que há de melhor", assim como descrevia a passagem bíblica que acabara de ler.

Envelope entregue para oferta do dízimo - Wanderley Preite Sobrinho/UOL - Wanderley Preite Sobrinho/UOL
Envelope entregue para oferta do dízimo
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL
Além de envelopes entregues aos fiéis para a oferta em dinheiro, os desprevenidos eram visitados por máquinas de débito, enquanto a opção para quem assistiu ao culto pelo YouTube era transferir o dízimo por conta corrente ou usar a chave pix, informada no telão de alta definição instalada atrás do púlpito.

A opção eletrônica oferecida pela igreja chegou a ser mencionada ontem por Malafaia em publicação no Twitter: "Não precisa estar no culto para enviar ofertas".

Antes que a celebração acabasse, alguns visitantes foram presenteados com um dos livros de Malafaia, Dois Caminhos e Uma Escolha. Os avisos sobre distanciamento social não impediram uma pequena aglomeração em torno dos pastores ao final do culto.

Procurados para conversar com o UOL, os pastores se recusaram a comentar a abertura da igreja na quarentena "por questão hierárquica" e orientaram os fiéis a não conversarem com a reportagem.

Embora o perfil da igreja no Facebook recomende que "pessoas no grupo de risco devem ficar em casa", uma mulher de 72 anos foi uma das primeiras a chegar ao templo. Ela ajudou outros fiéis a organizar os mantimentos arrecadados para socorrer pessoas em vulnerabilidade social na pandemia: 2,5 toneladas, segundo a Advec.

À reportagem ela disse que não tinha condições de opinar sobre a reabertura, mas que esperava pelo "fim da pandemia o quanto antes".

Antes do culto, idosa de 72 anos ajuda com mantimentos doados à igreja - Wanderley Preite Sobrinho/UOL - Wanderley Preite Sobrinho/UOL
Antes do culto, idosa de 72 anos ajuda com mantimentos doados à igreja
Imagem: Wanderley Preite Sobrinho/UOL

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