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15 dias

Mãe de Henry troca de advogado e defesa de casal passa a ser separada

Até hoje, Monique Medeiros era defendida pela mesma equipe que Jairinho; segundo novo advogado, decisão partiu da professora e de sua família - Tania Rego/Agência Brasil
Até hoje, Monique Medeiros era defendida pela mesma equipe que Jairinho; segundo novo advogado, decisão partiu da professora e de sua família Imagem: Tania Rego/Agência Brasil

Daniele Dutra e Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

12/04/2021 19h23Atualizada em 13/04/2021 14h02

Mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros tem um novo advogado A novidade, anunciada hoje, marca a desvinculação da defesa da professora e do namorado, o vereador Jairinho, que até o momento eram representados pela mesma equipe de advocacia.

Quem assume a defesa da mãe de Henry são os advogados Thiago Minagé e Hugo Novais.

O defensor André França continua à frente da defesa de Jairinho.

Segundo Minagé, a família da Monique entrou em consenso e solicitou a mudança.

"Assumimos a defesa da Sra. Monique e agora o momento é de estudo a análise do IP. A defesa mudará a estratégia e agora atuará com a verdade. Trabalharemos com os fatos conforme ocorreram", declarou o advogado ao UOL.

A nova defesa já entrou com pedido de acesso ao inquérito junto à 16ª DP.

Minagé disse que está aguardando a liberação.

Ao comentar a mudança na defesa, o ex-advogado da professora, André França, esclareceu que fez parte da decisão de separar a defesa de Monique da de Jairinho, que continua sendo representado por ele.

"Nós orientamos a família da Monique, e a própria Monique, ontem, quando estive com ela em Niterói, que, com a prisão e a existência desses prints (que nós só temos conhecimento pela mídia), seria importante que ela constituísse um advogado para ela", afirmou.

A mãe e o padrasto de Henry foram presos na última semana sob acusação de tentarem atrapalhar as investigações em torno da morte do menino, que teve óbito declarado em 8 de março após ser levado ao hospital pelo casal.

O laudo apontou hematomas incompatíveis com a versão apresentada pelos dois, que alegaram que o garoto teria sofrido um acidente doméstico. Agora, eles são investigados por agressões contra a vítima, que tinha apenas 4 anos.

Advogado é acusado de coação de testemunha

Também hoje, a Polícia Civil anunciou que irá enviar uma representação contra o advogado de Jairinho para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Uma das acusações das autoridades é de que o defensor, que até então também defendia Monique, teria divulgado fotos íntimas de uma ex-namorada do parlamentar com o objetivo de constranger e desmerecer o depoimento de que a filha dela foi agredida pelo vereador quando os dois tinham um relacionamento, há 8 anos.

As fotos, segundo a polícia, foram enviadas pela defesa para jornalistas.

Em uma imagem em que a ex-namorada aparece nua, uma frase atribuída a ela indica que Jairinho teria pago uma cirurgia estética para a mulher.

Procurado pelo UOL, André França disse que, desde que foi criada, a equipe de defesa "sempre pautou a sua atuação sob a égide da ética, da técnica e do profissionalismo".

A polícia acusa o advogado pelos crimes de coação de testemunha e obstrução de Justiça.

Em nota, França disse ainda que, "a fim de conceder ampla transparência à inocência reiteradamente afirmada por seus clientes, estes advogados envidaram uma investigação defensiva, promovendo, de maneira pública e ostensiva, uma convocação de pessoas que, a partir de então, apresentaram os seus relatos, bem como vídeos, fotos e documentos, acerca da relação da Monique, do Henry e do Jairinho".

O advogado se defendeu também de ter coagido a babá e a empregada doméstica por ter conversado com as duas antes de ambas prestarem depoimento. Segundo França, o objetivo era entender como era a relação de Dr. Jairinho, Monique e Henry.

"Ressalta-se, ainda, de acordo com os termos das declarações posteriormente aduzidas à Autoridade Policial ambas prestaram depoimento desacompanhadas de advogado, inclusive destes patronos, por aproximadamente seis horas cada", escreveu.

No documento, França finaliza dizendo que "ressalta o seu compromisso com a CRFB [Constituição da República Federativa do Brasil], com o devido processo legal, e com o Código de Ética da OAB, reafirmando a sua posição inabalável de emissor das versões, motivos e explicações emitidas pelos seus clientes".