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Jacarezinho: Alvo de fake news, mulher com arma de airsoft pede justiça

Rosana do Carmo foi confundida com a mãe de um dos mortos do Jacarezinho - Reprodução
Rosana do Carmo foi confundida com a mãe de um dos mortos do Jacarezinho Imagem: Reprodução

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

11/05/2021 20h10

Alvo de fake news, a mulher que aparece em vídeo dançando com uma arma (de airsoft) na mão nunca esteve na comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio. Rosana do Carmo, 49, mora a mais de 20 km da favela onde na quinta-feira (6) morreram 28 pessoas em uma ação policial.

Após a operação, viralizou na internet um vídeo que relaciona Rosana à mãe de um dos mortos —ela apareceu em uma reportagem pedindo justiça pela morte do filho. Rosana contou ao UOL que o vídeo em que ela segura uma arma de airsoft —uma réplica de fuzil que na verdade é uma arma de pressão usada em esporte de ação— foi feita em fevereiro e tirada de contexto.

UOL Confere Jacarezinho - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Vídeo em que Rosana aparece com arma de airsoft e que viralizou a relacionando com uma mãe do Jacarezinho
Imagem: Reprodução/Twitter

Ela foi alertada pela neta que as imagens estavam sendo usadas para relacionar sua imagem à da mãe do Jacarezinho. Rosana passou a ser hostilizada na rua e a sofrer ameaças.

"Meu neto tem um canal de telenovela no YouTube. Ele e outros cinco gravam com armas de airsoft o dia a dia na comunidade. Até que em um churrasco, no aniversário do meu filho, eles colocaram uma música 'Minha avó tá maluca' e fizemos essa brincadeira [dançar com a arma de airsoft]."

A música é um funk da cantora MC Carol sobre decisões equivocadas de uma avó. Rosana pediu aos netos para não compartilhar o vídeo. No entanto, um deles colocou as imagens como destaque em um grupo de aplicativo de mensagens. A família não sabe como o material vazou.

"O foco era uma brincadeira de família que foi distorcida. Estou sendo difamada, agora quero que seja feita justiça, prejudicaram minha imagem. Fica difícil agora conseguir emprego. Onde eu vou, as pessoas ficam me apontando, me olhando, rindo de mim. Tá me incomodando."

Rosa —que tem cinco filhos e "vários netos"— confirmou que o biotipo dela e o de Adriana são semelhantes e finalizou a conversa com o UOL com uma mensagem de solidariedade.

"Eu sinto muito pela perda dessa moça. Eu sou mãe. Eu sei a dor que ela está sentindo, mas eu não posso aceitar que eu seja comparada com uma pessoa que eu não sou."

O caso foi registrado hoje na Delegacia de Repressão aos Crimes de Internet para que se investigue quem fez a divulgação. "Vamos entrar com representação na Justiça Civil para que sejam reparados os danos que essas senhoras vêm sofrendo", disse o advogado André Oliveira, referindo-se a Rosana e a outra mulher que aparece no vídeo.

A telenovela gravada pelos netos de Rosana não faz apologia ao crime, segundo frisou o advogado. A gravação mostra a vida na favela e os outros caminhos que a comunidade deve seguir, disse ele.

Políticos compartilham vídeo

O UOL Confere encontrou ao menos duas postagens do vídeo com as alegações falsas no Facebook.

Em uma delas, feita pelo deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), o vídeo tinha mais de 535 mil visualizações até o começo da noite de hoje. No outro post, as imagens passavam de 258 mil visualizações.

No Twitter, o deputado estadual paulista Gil Diniz (sem partido) publicou um vídeo com a alegação falsa, atraindo 41 mil visualizações e 2.500 retweets até a noite de ontem.

O ativista de direita Allan dos Santos também postou um vídeo com o mesmo teor, que recebeu 71 mil visualizações e 3.300 retweets.

Este vídeo também foi checado por Aos Fatos, Estadão Verifica, Fato ou Fake e Boatos.org.

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