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Mulher que matou marido PM alega legítima defesa: 'Ato desesperado'

Mulher de Ademir Pestana, de 56 anos, alegou que PM aposentado teria tentado atirar contra ela  - Reprodução/Redes Sociais
Mulher de Ademir Pestana, de 56 anos, alegou que PM aposentado teria tentado atirar contra ela Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Maurício Businari

Colaboração para o UOL

13/05/2021 18h09Atualizada em 14/05/2021 08h48

A mulher de Ademir Marques Pestana, de 56 anos, confessou à Polícia Civil que matou o marido a tiros no dia 4 de maio, na casa onde vivia o casal, no bairro do Japuí, em São Vicente, litoral de São Paulo.

Ela afirmou que matou o companheiro, um policial militar aposentado, em um ato "desesperado" de legítima defesa. O crime está sendo investigado pela Delegacia Sede de São Vicente, onde a mulher se apresentou na segunda-feira (10), acompanhada de seu advogado, para prestar esclarecimentos.

Com um pedido de prisão temporária decretado, a mulher ficou detida no anexo provisório do 2º DP da cidade e foi liberada ontem a pedido da promotoria, que reconsiderou a necessidade de mantê-la presa. Ela agora responderá pelo crime em liberdade.

Ao UOL, a acusada, que é cabeleireira e tem um pequeno salão no andar térreo da residência onde o casal vivia, afirmou que, desde que conheceu o policial e iniciou uma relação amorosa com ele, vivia sob constantes ameaças e contínuas agressões. Ela diz ainda que o marido era usuário de drogas pesadas, como o crack.

"Conheci ele há cerca de 13 anos, eu trabalhava de manicure em um salão e ele era segurança de um rapaz que fazia jogo do bicho, que vivia lá. Eu tinha 20 anos, era muito jovem e ele era uma pessoa extrovertida e tinha um bom papo. Nunca imaginei que começar a namorá-lo seria o começo do pior pesadelo da minha vida", declarou.

Ao longo dos anos, a cabeleireira registrou mais de sete boletins de ocorrência contra o marido e por duas vezes pediu medidas protetivas.

Porém, acabava retirando as queixas, segundo ela, por pena. A mulher conta ainda que o companheiro a ameaçava de morte caso ela tentasse se separar dele.

Por conta do vício e de problemas psiquiátricos comprovados pela perícia da Polícia Militar, ele acabou aposentado compulsoriamente.

Véspera do crime

Na noite anterior ao crime, o casal teria discutido porque o marido não deixava a companheira assistir à novela na TV. Segundo o relato da acusada, ele ficava o tempo todo mandando que ela fizesse coisas para ele, provocando-a. "Teve uma hora que me irritei e mandei ele se f...".

Durante a madrugada, a mulher conta que o policial ficava falando alto, batendo a porta do quarto e derrubando coisas para não deixá-la dormir. Quando o dia amanheceu e a cabeleireira preparava o café da manhã, ele teria dito a ela: 'Você vai ver quem é que vai se f...' e subiu de volta ao quarto.

"Quando eu subi, ele já estava com a arma na mão, apontando pra mim. Ele deu dois passos na minha direção, eu me esquivei e consegui, não sei como, arrancar dele. Mas ele não parou. Continuou tentando pegar a arma, que eu segurava o tempo todo na altura da barriga. Ele veio com tudo para cima de mim e foi quando aconteceu o primeiro disparo. Eu não consigo tirar o som e o clarão da minha cabeça", afirmou a mulher.

Ela conta que o marido avançou novamente em direção a ela, arremessando-a na cama, quando ocorreu o segundo disparo. Ainda assim, o policial iniciou uma luta corporal na tentativa de arrancar a arma até que, perdendo as forças, tombou já sem vida, sobre o chão do quarto do casal.

A mulher afirma que ficou desesperada e, com a ajuda da filha mais velha, conseguiu ligar para o SAMU e para a polícia. Em seguida, telefonou para uma advogada que cuidava da documentação da casa, que gritou para que ela fugisse do local.

A suspeita então teria pegado as filhas pequenas, de 8 e 10 anos, colocou no carro enquanto a mais velha ficou aguardando o SAMU e a polícia.

"Foram os dias mais estranhos da minha vida. Eu só chorava, indo de lugar em lugar, pensando que iam me separar das minhas filhas. Estava em pânico. Não queria ser presa por ter tentado salvar a minha própria vida e as das minhas filhas. Desde que conheci esse homem, não sei mais o que é a paz. Não queria ter feito o que fiz, mas ele estava louco, ele ia me matar, na hora só pensei em proteger a mim e as minhas filhas".

Solução em 24 horas

O Delegado de Polícia responsável pela investigação, Luís Carlos Cunha, informou que o caso foi solucionado pela Polícia Civil em menos de 24 horas. "O inquérito policial aguarda os laudos periciais realizados no dia do crime e demais informações reveladas na investigação estão sendo verificadas para apurar a veracidade dos testemunhos realizados".

O atual advogado da cabeleireira, Ronaldo Evangelista, acompanhou a cliente na última segunda-feira, quando ela se entregou à polícia. Agora, ele espera que a Promotoria indique ao juiz a necessidade de absolvição por legítima defesa ou então a pronuncie para que vá a julgamento.

"A legítima defesa foi comprovada pela filha mais velha, por depoimentos de testemunhas e pelo histórico recorrente de agressões, comprovados pelos B.O.s e outros documentos anexados", concluiu o defensor.

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