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Motoboy é surpreendido em condomínio com 'kit solidário' para entregadores

O motoboy Felipe Martins, de 31 anos, foi surpreendido com a cesta para os entregadores, com comida e até máscaras - Arquivo Pessoal
O motoboy Felipe Martins, de 31 anos, foi surpreendido com a cesta para os entregadores, com comida e até máscaras Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

01/06/2021 11h45

Um ato solidário realizado por moradores de um condomínio de classe média alta, em Santos, no litoral de São Paulo, surpreendeu o motoboy Felipe Martins, 31 anos e acabou viralizando. Ao chegar no condomínio na noite de sábado para realizar uma entrega, ele encontrou uma cesta cheia de lanches destinados aos entregadores.

"Foi uma surpresa muito grande", conta o entregador, que trabalhava há dez anos como sushiman em restaurantes da cidade e, por conta da pandemia, decidiu mudar de ramo. Hoje ele trabalha com vendas de produtos e, para complementar a renda, há três meses começou a atuar como motoboy.

Felipe faz entregas para dois restaurantes de comida japonesa. Ele diz que nem sempre quem recebe as encomendas trata bem os entregadorese que essa é uma queixa muito comum entre os colegas. Porém, a atitude dos moradores do Edifício Pentágono o alegrou bastante, pois demonstrou que o brasileiro ainda é capaz de atos de solidariedade.

Me senti valorizado. Quando fui chamado para fazer a entrega nesse prédio da Ponta da Praia, nem poderia imaginar que havia uma surpresa me esperando. Ao chegar no prédio, o porteiro mostrou a cesta e me avisou que aqueles lanches eram para nós, motoboys. Eles estavam embalados um a um"

motoboy - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
O motoboy Felipe Martins, de 31 anos, foi surpreendido com a cesta para os entregadores
Imagem: Arquivo Pessoal

Tocado pelo gesto dos moradores, Felipe decidiu publicar a foto nas redes sociais e o post acabou viralizando. "Sou motoboy e me surpreendi ao fazer uma entrega ao condomínio Pentágono Residence, localizado na Ponta da Praia, pois havia um kit de lanche preparado para os entregadores. Achei a iniciativa muito bacana! Queria parabenizar e agradecer por esse gesto atencioso conosco que estamos sempre de passagem rápida pelos lugares", declarou na postagem.

Cada kit lanche distribuído aos entregadores continha uma caixinha de suco, um pacote de bolacha salgada, duas unidades de BIS, duas máscaras de proteção e um origami, dobradura de papel em forma de pássaro, conhecida na cultura oriental como "tsuru", que significa "pássaro da sorte".

Espero que o que aconteceu comigo sirva de exemplo para as pessoas que costumam pedir entrega em casa. O respeito mútuo e a educação têm que ocorrer entre as pessoas, não importa de que profissão ou classe social. Um pequeno gesto como esse, dos moradores do Pentágono, podem mudar a vida de uma pessoa"

Grupo de ação solidária

A iniciativa que alegrou o motoboy e viralizou nas redes é parte de uma série de ações programadas pelo grupo de ação solidária formado por moradoras do Edifício Pentágono. A advogada Izilda Borges, de 67 anos, explica que a pandemia de covid-19 despertou entre os vizinhos a necessidade de criar mecanismos de assistência a trabalhadores e entidades.

"Todos os meses, nós recolhemos mantimentos entre os condôminos do edifício, que depositam suas doações em uma caixa que fica na portaria. A adesão é enorme. Os alimentos são doados para uma entidade assistencial que está enfrentando muitas dificuldades desde o início da pandemia", afirmou ela.

Izilda conta que, numa das reuniões do grupo, uma moradora sugeriu que fosse criada uma ação com foco nos entregadores.

Ela nos lembrou que muitas pessoas perderam o emprego e se viram obrigadas a trabalhar fazendo entregas. Foi quando tivemos a ideia de criar o kit-lanche, que disponibilizamos pela primeira vez no sábado, justamente no dia em que o Felipe veio fazer uma entrega aqui"

Marido de Izilda e síndico do condomínio, o engenheiro mecânico Eumar Borges, de 62 anos, apoia a iniciativa da esposa e das demais moradoras e se diz muito feliz com a repercussão da história. O casal tem esperança agora que a iniciativa estimule outros condomínios a fazer o mesmo.

"É uma corrente do bem, uma forma de combater essa truculência que vive o Brasil de hoje. Não acreditamos que o brasileiro deixou de ser solidário. Na verdade, existe uma minoria barulhenta, que aparece por conta do escândalo que fica fazendo. Mas a maioria ainda é composta de pessoas do bem, que querem o bem, que ajudam umas às outras", afirmou ele.

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