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3 meses

'Se não intubarem, vou sair sozinha', disse grávida que morreu com covid-19

Gestante disse que estava sendo tratada com descaso na UPA San Martin, em Salvador (BA) - Reprodução/TV Bahia
Gestante disse que estava sendo tratada com descaso na UPA San Martin, em Salvador (BA) Imagem: Reprodução/TV Bahia

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/06/2021 12h33Atualizada em 01/06/2021 18h53

A técnica de enfermagem Taíse Santos, de 35 anos, morreu com uma parada cardíaca por conta das complicações decorrentes da covid-19 no sábado (29), na UPA San Martin, em Salvador (BA). Antes de morrer, ela comentou o suposto descaso no atendimento da unidade hospitalar em mensagens com a sogra: "Se não me intubarem hoje, amanhã vou pedir pra sair por conta própria e vou pra maternidade", disse.

Taíse deu entrada na UPA na noite sexta-feira (28) apresentando dificuldades para respirar. Grávida de 7 meses, ela ficou à espera de um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e recebeu diagnóstico positivo para a covid-19, segundo a TV Bahia, afiliada da TV Globo.

Durante a madrugada, a mulher trocou mensagens com a sogra, Eliane Pereira. Ela chegou a dizer que se não fosse intubada, iria sozinha até uma maternidade para receber atendimento.

Em outro trecho, ela afirma estar sendo tratada com descaso. "Toda hora ficam dizendo 'Ela veio para cá porque quis, então é por por conta dela'", diz mensagem.

Taíse trocou mensagens com a sogra na noite que antecedeu o óbito - Reprodução/TV Bahia - Reprodução/TV Bahia
Taíse trocou mensagens com a asogra na noite que antecedeu o óbito
Imagem: Reprodução/TV Bahia

Na manhã seguinte, por volta das 10h, Taíse sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Minutos antes, a UPA ainda acionou um médico do Samu para tentar salvar ela e o bebê.

"Quando cheguei na UPA encontrei uma paciente em insuficiência respiratória, saturação ruim, usando oxigênio na máxima quantidade possível, mas já sem conseguir manter um padrão respiratório para manter ela e o bebê vivos. Na iminência de ter sido intubada às pressas teve uma parada cardíaca e depois da parada optei para tirar o bebê", conta o médico Uemerson Araújo à TV Bahia.

Não sai da cabeça ainda a imagem, ficou durante o dia, na hora de dormir, ao acordar. A morte de Taíse era completamente evitável. Ela só precisa de um leito de UTI naquele momento"

Irritado com as denúncias da mulher, o viúvo Wilson Pereira disse que "ninguém vai para a UPA por vontade própria procurar ajuda".

"Ali não é brinquedo de parquinho pra ninguém ir lá querer passear", desabafou. Wilson ainda aproveitou para agradecer ao médico do Samu. "Se não fosse pelo médico do Samu, que chegou na hora, minha filha Maria Isabel não estaria viva nesse momento", disse.

Em nota à TV, a Secretária Municipal de Saúde informou que a paciente seria transferida para uma maternidade de referência no sábado.

"A paciente já deu entrada na UPA com quadro gravíssimo, por isso, foi feito pedido à Central de Regulação de transferência para maternidade de referência. Com o agravamento do quadro, o Samu foi até a UPA e realizou manobras de reanimação cardíaca, mas a paciente, infelizmente, não resistiu."

Taíse foi sepultada no domingo (30), no Cemitério Quintas de Lazáro.

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