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Joel Pinheiro: Amazônia no governo Bolsonaro tem virado uma terra sem lei

Exército tenta controlar entrada de cocaína na Amazônia - Felipe Souza/BBC Brasil
Exército tenta controlar entrada de cocaína na Amazônia Imagem: Felipe Souza/BBC Brasil

Colaboração para o UOL

15/07/2021 13h17

A desarticulação no combate ao crime organizado na Amazônia tem sido apontada por pesquisadores, entre outros fatores, como um dos aspectos relevantes para o aumento no número de mortes violentas no Brasil. Joel Pinheiro, colunista do UOL, destacou que a região amazônica "tem virado terra sem lei".

"A Amazônia nunca foi um exemplo de lei e de ordem, mas agora no governo Bolsonaro tem virado uma verdadeira terra sem lei, e o crime organizado faz uso disso. PCC e Comando vermelho estão presentes na Amazônia", disse, em participação no UOL News da tarde de hoje.

Joel Pinheiro destacou, também, que na falta da presença do Estado, "o que impera é o crime". Com isso, na avaliação dele, o número de violência só sobe.

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, aponta alta de 4% de casos de mortes violentas em 2020, na comparação com 2019.

Pesquisadores ouvidos pelo UOL explicam que trechos antes restritos aos garimpos ilegais e áreas de grilagem passaram a ser usados por criminosos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao Comando Vermelho (CV). Ambos os grupos, então, passaram a tirar proveito do afrouxamento da fiscalização nessas regiões no governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e pelo que os especialistas chamam de "
brecha entre União, governos estaduais e prefeituras".

Mudança estrutural

Também colunista do UOL, Leonardo Sakamoto apontou a necessidade de "um chacoalhão muito maior" na estrutura policial. Ele destacou um dado de que os altos escalões da polícia chegam a ganhar até 15 vezes mais que a base da corporação.

"Existe uma desigualdade muito grande. Existe massa de trabalhadores da segurança pública que ganha pouco, são mal treinados, mal equipados, são mal protegidos, quando você tem uma elite da polícia, participando também da elite política do Brasil, enquanto a massa vai matar e morrer a 'Deus dará'", disse em participação no UOL News

Além disso, Sakamoto destacou a falta de treinamento e formação adequados para uma parcela desses trabalhadores. O que, segundo ele, contribuiria para a perpetuação de "determinados padrões de violência que são repetidos há décadas".

"Você precisa mexer na formação desses policiais, na formação desses policiais, e na própria lógica da polícia. Quando a sociedade civil defende a desmilitarização da Polícia Militar, não está querendo dizer com isso que vai entregar flores para bandidos em combate. Mas é uma lógica que pare de tratar o cidadão como inimigo", pontuou.

Sakamoto destacou, ainda, que os números de homicídios e letalidade policial tendem a ser menores fora das áreas "cartão postal" e ricas das grandes cidades, e maiores nas periferias e interior do país.

Por fim, ele defendeu que isso também passa pelo fim da guerra às drogas. Isso porque, na avaliação do colunista, as drogas continuam circulando e as pessoas continuam morrendo, o que demonstra a ineficácia da política.

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