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Pastor é denunciado por estupro: 'Dizia ser pra meu crescimento espiritual'

Pator Esney Martins da Costa, denunciado por crimes sexuais por seis vítimas - Reprodução/TV Anhanguera
Pator Esney Martins da Costa, denunciado por crimes sexuais por seis vítimas Imagem: Reprodução/TV Anhanguera

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/08/2021 22h58

Pastor da igreja evangélica Remanescendo em Cristo, em Goiânia (GO), o líder religioso Esney Martins da Costa foi denunciado por seis mulheres por crimes sexuais. Entre eles, estupro, importunação sexual, posse sexual mediante a fraude, ameaça e lesão corporal. Até o momento, seis vítimas, incluindo adolescentes, apresentaram denúncias junto à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do município.

As queixas foram apresentadas à Defensoria Pública no mês de maio, mas alguns casos aconteceram há anos. Em suma, os relatos possuem a mesma descrição: o líder se apropriava de pregações religiosas para manipular seus alvos.

As vítimas não tiveram identidades reveladas, mas pelo menos duas delas são menores de idade. Em depoimento à reportagem exibida hoje na TV Anhanguera, afiliada da TV Globo na região, algumas das vítimas detalharam o ocorrido: "Ele queria tocar no meu órgão íntimo. Ele falava que era para o meu crescimento espiritual. Ele falava que era pra eu crescer na vida. Ele às vezes confunde até a mente da gente a acreditar que o que ele faz vem de Deus", diz uma das jovens.

Ela diz que contou ao Pastor que sofria abusos sexuais na infância. Em resposta, ouvia:

"Você vai ter que passar pela ferida pra ser curada. E aí eu fiquei: 'meu Deus, eu vou ter que ser molestada pra, de novo, pra ser curada de um trauma que eu fui na infância?' Então isso não me deixava dormir."

Outra mulher diz que Esney a chamava de lésbica e que tentaria curá-la. "Falava que eu era lésbica e que eu precisava de tratamento, tratamento de Deus", conta a segunda vítima, que não disse se sofreu outro tipo de assédio.

"Todo esse processo manipulador do pastor incutiu nelas uma sensação de que elas teriam eu se submeter aos atos libidinosos sob pena de desobediência a Deus. Muitas delas disseram que se sentiam pecadoras se não se submetessem às vontades do Pastor", diz a delegada Paula Meotti.

A maioria dos abusos acontecia no Morro da Serrinha, monte localizado a cerca de 10 minutos do centro da cidade. "Era muito normal a gente ir para o monte com ele. Às vezes iam algumas meninas. Aí ele vinha, pegava no meu peito e falava: 'isso aqui não é nada pra Deus', conta a menina.

"Amanhã você vai dormir aqui"

Uma mensagem de áudio, à qual a TV Anhanguera teve acesso, mostra Esney supostamente se dirigindo a uma das meninas. Nas mensagens, ele pede que a garota simule ataques de rebeldia para ser tratada na igreja.

"Oi, amorzinho. Te amo. E, olha, não se deixe vencer, tá bom? Não dá ouvido e faz o que eu falei. Se cê tiver que dar uma de doida, cê vai lá naquelas imagens da sua mãe e quebra tudinho. Joga no chão e rola no chão com as imagens e quebra tudo. É isso que cê tem que fazer. Tá bom? Mas nós te amamos e tamos orando por você."

Após entregar as mensagens, a responsável por uma das vítimas diz que houve relação sexual entre a filha e o pastor. "A primeira dela, ela relatou isso pra gente, foi dentro do carro, ela falou. Então, ele é um homem é 61 anos, para a idade da minha filha?", questiona.

Pastor diz "Deus te abençoe" à equipe de reportagem antes de partir - Reprodução/TV Anhanguera - Reprodução/TV Anhanguera
Pastor diz "Deus te abençoe" à equipe de reportagem antes de partir
Imagem: Reprodução/TV Anhanguera

"Deus te abençoe"

Localizado pela TV, Esney entrou rapidamente no carro quando viu a câmera e, ao ser questionado sobre as acusações, ele disse que o advogado cuidaria disso. Depois falou por consecutivas vezes "Deus te abençoe" e foi embora.

Em nota, a defesa disse que o Pastor já foi ouvido na Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher e prestou todas as informações que lhe foram solicitadas. E que também se coloca à disposição dos órgãos de investigação e que as denúncias não tratam de fatos praticados com violência ou grave ameaça.

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